Em tremor e temor, Søren Kierkegaard discorre sobre a história de Abraão e Isaac e seu paradoxo; como pode um pecado se tornar símbolo de fé e ser santificado?
Abraão, como pai, entende que um de seus maiores deveres morais é o de cuidar e amar o seu filho, mas o que fazer quando Deus pede que mate esse seu filho em sacrifício? Esse duro dilema é esmiuçado durante o livro, estaria Abraão livre da moral ou não passa de um assassino?
Kierkegaard então diz que há 3 estágios, o estético, do indivíduo, o geral, onde se vive pela moral, e o religioso. Abraão não está no individual pois não faz algo pra si, tão pouco no geral, pois sua atitude vai contra a moral, a única solução é o religioso, onde, pela fé, se torna cavaleiro solitário. Um ser carregado de angústia e que faz algo carregando dentro de si esperança.
" Estamos então em presença do paradoxo. Ou o Indivíduo pode, como tal, estar em relação absoluta com o absoluto, e nesse caso a moralidade não é o supremo estádio, ou então Abraão está perdido; não é um herói nem trágico nem estético.
Nestas condições pode parecer que nada é mais fácil do que o paradoxo. Torna-se-me então necessário repetir que, se cremos nisso firmemente, não se é cavaleiro da fé, porque a única legitimação concebível é a tribulação e a angústia, ainda que não se lhe possa dar uma acepção geral, porque então suprime-se o paradoxo."
Gostei muito desse livro, mas já adianto, não é uma leitura fácil é fluída, principalmente pra quem não é acostumado a leituras mais rebuscadas.(Li em média 3 vezes cada página hehe)
Não é um livro que trata do ponto de vista de Isaac (o trauma que esse menino deve ter ficado), nem do próprio absurdo de um ser dito perfeito exigir um sacrifício de uma criança (é..., isso já fica pra outro livro). Mas trata unicamente do dilema do próprio Abraão. Gostei demais e me apresentou um ponto de vista que eu ainda não tinha visto.
Leitura mais que proveitosa e boa!