Uma bomba!
Ainda que não tenha lido muitas, sou um apaixonado pelas histórias policiais. Dentre os meus favoritos, estão Cormoran Strike, Bill Hodges e, é claro, o Sherlock. E, talvez por já conhecer histórias de investigação realmente boas, senti que o Antônio Boto não viveu pra honrar os detetives que vieram antes dele. Mas do que se trata essa história? Começa quando Lucinha, uma menina que trabalha na Praça da Alfândega, em Porto Alegre, vendendo espigas de milho, testemunha uma perseguição policial a três meninos, que acaba com um deles baleado, um escapando e o outro morrendo. Com o andar da história, descobrimos que os policiais envolvidos, Caolho e Mão de Vaca, fazem parte de um grupo de agentes corruptos, envolvidos num esquema de tráfico de órgãos. Mas quem desvenda toda essa tramoia? O Antônio Boto? Não! Mas sim a dona Amapola, uma professora de matemática que apenas aconteceu de estar no lugar errado na hora errada, quando Caolho e Mão de Vaca foram atrás de Lucinha na escola pra "interrogá-la". Ou seja, a trama do livro de investigação policial, que tem um personagem investigador, é desvendada por OUTRA pessoa! Enquanto romance policial, esse livro falha miseravelmente. A ambientação do livro foi, disparado, uma das piores que eu já vi. O autor simplesmente joga nomes de ruas e prédios de Porto Alegre, e o leitor que nunca esteve na capital gaúcha que se exploda! Me senti um pouco menos perdido por já ter estado lá algumas vezes, mas, cara... A impressão que dá é de que o autor não queria mais ninguém além dos porto-alegrenses lendo esse livro. Os diálogos são um show de vergonha alheia. Além de não fazerem o menor sentido, com piadas de A Praça é Nossa no meio de situações extremamente tensas, as conversas são RECHEADAS de expressões típicas do Rio Grande do Sul, mas de um jeito que gaúcho nenhum fala. Pareceu, de verdade, que o autor tava mais debochando do que retratando o povo do RS. Os fatos são muito mal amarrados. O mistério dos meninos aparecendo sem os órgãos é retomado só na terceira parte do livro, quase como se o autor tivesse esquecido dele enquanto escrevia as duas primeiras. Por último, mas não menos importante: que edição PORCA! O trabalho de revisão textual é muito mais do que amador. Palavras repetidas, problemas de concordância nominal e pontuação se espalham pelo livro inteiro. Deu vontade de pegar uma caneta e sair corrigindo que nem faço com as redações dos meus alunos. Não tenho vontade nenhuma de ler mais nada desse autor, e recomendo a qualquer um que faça o mesmo. Na vontade de ler uma obra de investigação, tu certamente vais encontrar livros muito mais ricos e bem construídos do que essas "Meninas".
