Dicionário Analógico da Língua Portuguesa - Ideias Afins / Thesaurus

    Francisco Ferreira dos Santos Azevedo

    Lexikon
    2016
    800 páginas
    1d 2h 40m
    ISBN-13: 9788583000167
    Português Brasileiro

    Sabemos muito bem que o vocabulário comum, adquirido e manejado no círculo de amizades e de trabalho, não nos basta, em determinadas ocasiões, para expressar exatamente o nosso pensamento. O contato com a gramática e com os dicionários é importante, mas temos necessidade de recorrer a outras fontes quando precisamos empregar palavras de uso comum para sermos perfeitamente compreendidos. Um dicionário, no seu sentido mais corrente, é obra que objetiva documentar e fornecer os significados das palavras de uma língua, que constituem o léxico desta língua, apresentadas em ordem alfabética. Não pode, evidentemente, prescindir dele todo cidadão que exercite, de algum modo, a linguagem verbal. Já um Dicionário analógico tem finalidade distinta e complementar: não mais saber o que uma palavra significa, mas saber “que palavras” a ela se relacionam, analogicamente, através de seus significados, em uma área semântica em torno de uma ideia central afim. O Dicionário analógico da língua portuguesa – ideias afins é um dicionário temático, isto é, as entradas são organizadas por temas (como semelhança, pureza e convergência) e não como uma lista alfabética de palavras. Dois tipos de busca são possíveis para achar uma palavra específica: é possível buscar o tema ao qual está relacionada ou recorrer ao índice, com mais de 100 mil entradas (palavras e expressões diferentes), estas sim, em ordem alfabética, enviando a quase 160 mil referências diferentes ao longo do dicionário, uma coleção de conceitos de grande importância e valor para quem escreve por gosto ou por ofício. Uma ferramenta essencial para escritores, advogados, jornalistas, músicos, poetas etc.

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    A. Barbosa11/08/2010Resenhou um livro
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    PREFÁCIO À ÚLTIMA EDIÇÃO DO GLORIOSO "ANALÓGICO".

    OS DICIONÁRIOS DE MEU PAI Chico Buarque Surpreendido pela nova edição do dicionário analógico de Francisco Ferreira dos Santos Azevedo, sinto como se revirassem meus baús e espalhassem aos ventos meu tesouro. Trata-se de uma terrível (funesta, nefasta, macabra, atroz, abominável, dilacerante, miseranda) notícia Pouco antes de morrer, meu pai me chamou ao escritório e me entregou um livro de capa preta que eu nunca havia visto. Era o dicionário analógico de Francisco Ferreira dos Santos Azevedo. Ficava quase escondido, perto dos cinco grandes volumes do dicionário Caldas Aulete, entre outros livros de consulta que papai mantinha ao alcance da mão numa estante giratória. Isso pode te servir, foi mais ou menos o que ele então me disse, no seu falar meio grunhido. Era como se ele, cansado, me passasse um bastão que de alguma forma eu deveria levar adiante. E por um bom tempo aquele livro me ajudou no acabamento de romances e letras de canções, sem falar das horas em que eu o folheava à toa; o amor aos dicionários, para o sérvio Milorad Pavic, autor de romances-enciclopédias, é um traço infantil no caráter de um homem adulto. Palavra puxa palavra, e escarafunchar o dicionário analógico foi virando para mim um passatempo (desenfado, espairecimento, entretém, solaz, recreio, filistria). O resultado é que o livro, herdado já em estado precário, começou a se esfarelar nos meus dedos. Encostei-o na estante das relíquias ao descobrir, num sebo atrás da Sala Cecília Meireles, o mesmo dicionário em encadernação de percalina. Por dentro estava em boas condições, apesar de algumas manchas amareladas, e de trazer na folha de rosto a palavra anauê, escrita a caneta-tinteiro. Com esse livro escrevi novas canções e romances, decifrei enigmas, fechei muitas palavras cruzadas. E ao vê-lo dar sinais de fadiga, saí de sebo em sebo pelo Rio de Janeiro para me garantir um dicionário analógico de reserva. Encontrei dois, mas não me dei por satisfeito, fiquei viciado no negócio. Dei de vasculhar livrarias país afora, só em São Paulo adquiri meia dúzia de exemplares, e ainda arrematei o último à venda na Amazon.com antes que algum aventureiro o fizesse. Eu já imaginava deter o monopólio (açambarcamento, exclusividade, hegemonia, senhorio, império) de dicionários analógicos da língua portuguesa, não fosse pelo senhor João Ubaldo Ribeiro, que ao que me consta também tem um, quiçá carcomido pelas traças (brocas, carunchos, gusanos, cupins, térmitas, cáries, lagartas-rosadas, gafanhotos, bichos-carpinteiros). A horas mortas, eu corria os olhos pela minha prateleira repleta de livros gêmeos, escolhia um a esmo e o abria a bel-prazer. Então anotava num Moleskine as palavras mais preciosas, a fim de esmerar o vocabulário com que eu embasbacaria as moças e esmagaria meus rivais. Hoje sou surpreendido pelo anúncio desta nova edição do dicionário analógico de Francisco Ferreira dos Santos Azevedo. Sinto como se invadissem minha propriedade, revirassem meus baús, espalhassem aos ventos meu tesouro. Trata-se para mim de uma terrível (funesta, nefasta, macabra, atroz, abominável, dilacerante, miseranda) notícia.

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