Se eu tivesse que escolher um livro de aventuras para um jovem leitor, eu escolheria A Ilha do Tesouro sem hesitar.
Ainda me lembro quando pus as mãos na cópia surrada da biblioteca, lado a lado com outro clássico: O Corsário Negro. Mas, diferente do último, A Ilha do Tesouro é voltada para o público infanto-juvenil e, portanto, volumosa com os tipos clichezados e adorados do gênero.
Jim Hawking é um rapaz que assombrado pela miséria encontra o Mapa do Tesouro do falecido pirata Billy Bones (algo como Billy Ossos em português). Decidido a explorar essa chance, ele embarca num navio onde aprende a separar o mundo dos adultos em confiabilidade e utilidade, e é aqui que entra Long John Silver - o melhor vilão pirata depois de Capitão Gancho.
Long John Silver mostra a Jim a fina linha entre ajuda-e-manipulação e como a traição é mais resultado da ganância do que da raiva. Há mesmo momentos de amizade entre os dois, pois a facada nas costas dói mais quando vem de alguém que se gosta.
A escrita é elaborada, os detalhes náuticos e impressões emocionais vão exigir redobrada atenção. Sendo literatura do fim do século XIX, é preciso estar preparado para entender o ritmo narrativo que é mais compassado - aqueles esperando algo como Piratas do Caribe vão ficar a ver navios.
Recomendo.