Fax de Sarajevo -

    Joe Kubert

    Via Leitura
    2016
    208 páginas
    6h 56m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro

    Em abril de 1992, começa o cerco a Sarajevo, o mais longo da história das guerras modernas e que resultou na morte de mais de 12 mil bósnios. Ninguém podia deixar a cidade sem arriscar cair nas mãos de patrulhas ou franco-atiradores sérvios. O editor de quadrinhos Ervin Rustemagic e sua família viveram os horrores desse conflito. Após terem a casa bombardeada por tropas sérvias, causando a perda de uma vasta coleção de originais de grandes artistas dos quadrinhos, Rustemagic, sua esposa e filhos buscam a sobrevivência de abrigo em abrigo na cidade devastada. Seu único meio de comunicação com seus antigos amigos pelo mundo é por um velho aparelho de fax. Foi a partir desses faxes enviados pelo editor que a lenda dos comics norte-americanos Joe Kubert, um dos artistas com os quais Rustemagic manteve contato, decidiu registrar em quadrinhos os dois anos e meio de privações e medo dessa família na cidade sitiada. Publicada pela primeira vez em 1996, a HQ rendeu ao já renomado desenhista - que trabalhou com personagens como Gavião Negro, Tor e Sargento Rock - alguns dos maiores prêmios mundiais dos quadrinhos, incluindo o Eisner, o Harvey e o do Festival Internacional de Angoulême. Fax de Sarajevo é um registro incisivo da guerra e do genocídio na Bósnia e Herzegovina, que figuram entre os capítulos mais sangrentos da história mundial. A adaptação da obra ao português do Brasil foi feita por Sidney Gusman, jornalista super especializado em quadrinhos e detentor de 14 prêmios do Troféu HQ Mix.

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    danyyy²31/03/2026Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    em nome do quê?

    a HQ conta sobre Ervin e sua família em meio à guerra que assola Sarajevo, quando os sérvios se apossaram do seu país. em meio a esse caos, Ervin encontra uma forma de resistir: se comunicar com amigos através de um fax, relatando tudo o que acontece com ele, com sua família e com as pessoas ao seu redor. não é uma leitura fácil. pra mim, foi penosa — em muitos momentos, pesada, comovente, quase sufocante. porque não estamos diante de uma ficção distante, mas da realidade de alguém que viveu a guerra, que sentiu medo, pavor, desespero… a angústia de não saber se haveria um novo amanhecer para contemplar. Ervin — e tantos outros — demonstram uma coragem que chega a doer. sair todos os dias sob o risco constante, com fuzileiros disparando a torto e a direito, apenas para buscar comida, remédios, ou levar os filhos ao hospital. e, diante disso, fica a pergunta que não se cala: por que pessoas inocentes precisam passar por isso? o ódio disseminado, a violência imposta… em nome do quê? de uma paz que não existe? de um propósito vazio que se constrói sobre a morte de centenas de pessoas? e o que resta é um silêncio amargo, carregado de perguntas sem resposta — e que, mesmo que fossem respondidas, jamais justificariam tamanha crueldade. ainda assim, em meio a tudo isso, há algo que resiste. a HQ também é profundamente comovente porque mostra que, mesmo no pior cenário, Ervin nunca esteve sozinho. seus amigos estavam ali, do outro lado, prontos para ajudar como podiam — por amor, por cuidado, por preocupação, por humanidade. e talvez seja isso que mais permanece: em meio ao caos, quando tudo parece perdido, ainda existem pessoas que escolhem não deixar a humanidade desaparecer.

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