MUTAÇÕES DA LITERATURA NO SÉCULO XXI (2016), de Leyla Perrone-Moisés.
Mesmo após tantos teóricos terem vaticinado o fim do romance e a morte do autor, esse gênero nunca esteve tão em evidência como nos últimos anos. Milhares de títulos são lançados anualmente em todo o mundo. E muitos dos seus autores são alçados a verdadeiras celebridades do momento.
A autora aponta que, diferentemente da abordagem dos modernistas, os romances atuais seguem um padrão mais tradicional quanto à forma, situando-se mais próximo às produções dos séculos XVIII e XIX. Para Perrone-Moysés, os autores contemporâneos querem ser acessíveis ao grande público, por isso se preocupam mais com a questão temática das obras do que em se aventurar na sua inovação formal.
Também alguns conceitos - intertextualidade, paródia, metalinguagem, ironia etc. - creditados ao pós-modernismo (ou modernidade tardia, como ela prefere), não são artifícios inéditos dentro da produção literária. Desde o surgimento do gênero romance eles podem ser encontrados. São recursos já utilizados por autores do passado, e talvez a maior inovação resida no fato da frequência bem maior com que eles aparecem na produção contemporânea.
É uma obra muito didática e acessível, mesmo àqueles que não são estudiosos do assunto. As ressalvas estão na falta de diversidade dos autores escolhidos por Perrone-Moisés para analisar: basicamente homens brancos. Ela não foge muito do já estabelecido, e mesmo quando cita escritores atuais, prende-se aos já agraciados pelas grandes premiações, ou àqueles já com uma reputação reconhecida entre os críticos.