Um Lugar Chamado Liberdade (Best Seller) -

    Ken Follett

    Rocco
    1996
    388 páginas
    12h 56m
    ISBN-13: 9788580413304
    Português Brasileiro

    Com a mesma força trágica e apaixonada com a qual já capturou milhões de corações no mundo inteiro, ao escrever thrillers de espionagem ou romances densos e históricos, como Os pilares da terra, Ken Follett mergulha em lugares ainda inexplorados por sua rentável imaginação – as minas de carvão do século XVIII, os escravos miseráveis e as aventuras transatlânticas que conduzem o leitor até a América à época da independência. Um lugar chamado liberdade tem, no entanto, um ponto em comum com os outros sucessos do autor: as envolventes tragédias humanas de seus inúmeros e fascinantes personagens, todos com a vida por um fio, onde quer que vivam. O protagonista de Um lugar chamado liberdade é o escravo branco Mack McAsh, de 21 anos, propriedade da família Jamisson, dona das minas de carvão de High Glen, na Escócia. Ele resolve fugir para Londres e termina condenado ao enforcamento por um crime que não cometeu. Com a ajuda de Lizzie Hallim, amiga rica e amada, futura esposa do herdeiro Jay Jamisson, livra-se da morte mas tem que cumprir sete anos de serviços na América. Mack viaja algemado no porão de um navio, em cujo tombadilho viajam, também, o casal Lizzie e Jay, ao encontro de seu dote matrimonial – uma plantação de tabaco na América. Jay, um sujeito fraco, logo perde toda a fazenda. Perde também a mulher Lizzie para Mack, que se torna um pequeno proprietário de cavalos e conta com o apoio da sabedoria dos índios.

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    Héliton picture
    Héliton11/08/2020Resenhou um livro
    3 (Bom)

    Deixar-se levar pela maré, ou lutar pela vida?

    O romance de Daniel Defoe de 1719, "Robinson Crusoé", é uma das bases que inspiram Mack, um dos personagens deste livro, para ir além do que seu status social permite. O destino o leva para uma vida de escravidão e sofrimento, mas pode ele fugir disso e lutar pela sua liberdade? Em "Um Lugar Chamado Liberdade", história que se passa a parti do ano de 1767, é mostrado a vida dos mineradores com as amarras de uma aristocracia soberba e de pensamentos distorcidos sobre a visão da vida humana. O livro retrata a realidade cruel desse tempo onde só havia um só destino para as pessoas que não nasciam de famílias com sangue aristocrata, a escravidão. Nessa realidade, a lei só era útil para aqueles com poder suficiente para impô-la, deixando os mineradores e carregadores de carvão a mercê das injustiças. Indo do país da Escócia aos estados de Londres e Virgínia(E.U.A), o autor segue fielmente uma época onde o carvão movia um estado inteiro, onde sem ela nada acontecia, um período onde o enforcamento era tratado como espetáculo, médicos priorizam a vida das pessoas pelos seus status sociais, e onde as crianças nascidas eram juramentadas ao destino de serem propriedade dos senhores de terras. Ken Follett constrói a trama entre três personagens centrais que possuem seus próprios capítulos, onde fora os diálogos, são narrados em terceira pessoa durante a narrativa: Malachi McAsh, um jovem minerador e condenado a trabalhar como escravo, mas que não mede esforços para buscar e lutar pelos seus direitos; Lizzie Hallim, uma dama refinada e de uma personalidade que anseia saber do diferente, devido a sua curiosidade acima do normal; e Jay Jamisson, segundo filho de um aristocrata muito influente, mas que é desprezado por ele. Qual a relação entre eles? A busca pela sua própria liberdade e a construção de seu próprio destino. Me incomodou o fato de Follett ter deixado de lado alguns personagens iniciais, dando um "motivo" um tanto suspeito para mudar o rumo da história deles e da narrativa. O foco do desenvolvimento foram os três que eu citei, nada mais certo que isso, mas queria ver o destino e a construção uma pouco melhor dos demais. As coincidências que aconteceram também me incomodaram, uma ou duas vezes até aceitava, o problema em si foi que ocorreu várias vezes e de forma bem conveniente, dando a impressão de algo forçado para gerar o que essas situações se propuseram a fazer, mas tudo bem, isso foi algo a parte sem relação direta com a narrativa principal. Assim como em "O Buraco da Agulha", seu primeiro romance, os personagens do Follett são bem construidos (neste aqui, ao menos os principais foram). Alguns sofrem uma grande evolução positiva, outros apenas decaem pelo seu próprio ego. O romance é bom, mas não espere algo clichê de cara, porque não tem, do tipo "um membro da alta classe e um escravo lutando contra as leis e contra todos para ficarem juntos", não tem. Gostei da forma que terminou, mas poderia prolongar um pouco mais! Por fim, a fala de Esther (uma das personagens que gostei neste livro) resume bem a realidade deles naquela vida: "Certo e errado não contam muito nesse mundo, só no céu".

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