L'étranger não é exatamente um livro sobre falta de empatia, tampouco sobre a liberdade social - embora essa apareça em várias obras subsequentes do autor. É mais sobre humor negro. Meursault, por todas as definições, é um psicopata. Sua apatia em relação aos movimentos humanos à sua volta chegam ao descaso e nada é verdadeiramente assimilidado a não ser que, de uma maneira ou outra, sua existência gere algum tipo de diversão ou irritação. Como uma história francófona do século XX, há várias críticas e zombarias a temas conhecidos como "a fixação pela mãe", o "ódio ao estrangeiro", e desrespeito as convenções sociais. Camus parece se deleitar em mostrar ao leitor como todas as grandes questões não deveriam afetar, e de fato nem o fazem, o viver comum. O que não quer dizer que consequências não existam... O mundo reage a presença e ação do personagem principal em sua forma mais repressiva: a ação governamental-religiosa. Porém, e a possibilidade da inexistência que finalmente faz Meursault começar a valorizar sua leveza de passos... enfim, outra ironia. É um ótimo livro, mas pode ser preciso um pouco de conhecimento sobre a literatura europeia do século XX para pegar todas as referências. Quanto ao nível de Francês, alguém com nível intermediário pode acompanhá-lo. O vocabulário é relativamente fácil.
L'Étranger -
Albert Camus
Gallimard
1996
173 páginas
5h 46m
ISBN-10: 2070393712
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