Placebo Junkies - Piratas de laboratório

    J.C. Carleson

    Fábrica 231
    2016
    304 páginas
    10h 8m
    ISBN-13: 9788568432754
    Português Brasileiro

    Audie é uma jovem como qualquer outra, mas encontrou uma forma incomum de descolar uns trocados: ela serve de cobaia para a indústria farmacêutica. Neste irreverente romance, J.C. Carleson, ex-agente da CIA, mergulha no universo pouco conhecido, mas muito impressionante, dos voluntários em série de testes farmacológicos. Na tradição de Trainspotting e Drugstore Cowboy, doses cavalares de humor negro disputam espaço na trama com o drama de jovens que vivem no limite. No caso de Audie, ela precisa juntar dinheiro para oferecer a Dylan, seu namorado que tem uma doença terminal, uma festa de aniversário de 18 anos inesquecível. “Não há ganho sem dor”, ela repete, em meio aos efeitos colaterais das substâncias e procedimentos a que está sujeita e aos esquemas para lidar com eles. Mostrando as entranhas de um mundo desconhecido da maioria das pessoas, Placebo junkies arrancou elogios da crítica com sua narrativa original e completamente viciante.

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    Andréa Bistafa Alves08/11/2016Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Que livro diferente! Original!

    O que você precisa saber, antes de tirar conclusões sobre essa resenha (e decidir se lê ou não): Não vou poder revelar a melhor parte, pois seria o maios spoiler da vida. Não é nada do que você espera. Caso sinta-se meio "fora d'água", aguenta o tranco pois no final você entende tudo! "Então, claro, essa vida pode me matar. Mas, na minha experiencia, a vida real mata você ainda mais rápido." Audie é uma adolescente, que graças a uma identidade adulterada, leva uma vida independente junto a amiga Charlotte, em um apartamento alugado por um "empreendedor de laboratório". O trabalho delas não é nada convencional: são cobaias humanas. Com o mínimo conhecimento, eu apenas sabia que isso existe graças a algumas reportagens aleatórias que vi entre um canal e outro na tevê. Basicamente são pessoas que se "voluntariam" para testar novos remédios, drogas que ainda não entraram no mercado e precisam ter seus efeitos colaterais e dosagens ainda regulados. Os medicamentos passam pela primeira fase, os testes em animais, para em seguida ser testados em humanos. Faz parte do processo e enfim, não estou aqui para julgar nem refletir sobre essa parte. A reflexão vem mais no âmbito particular: o que leva a pessoa a arriscar sua via vida por dinheiro? Os testes são todos pagos, desde os mais simples exames de urina até os mais complexos estudos na área de psiquiatria. "Não é assim que funciona? É influencia da lua: todo mundo é fodão sob a luz certa." Audie tem um namorado perfeito, Dylan, que se não fosse pelo seu câncer, talvez as coisas fossem mais simples. Nesse primeiro momento o objetivo dela é se jogar completamente no mundo das cobaias para conseguir o quanto antes o dinheiro necessário para uma viagem com Dylan (que não está muito bem), como um presente, um último desejo. Tem tanta coisa que acontece nessa trama, que me parece até injusto citar apenas isso! A grande reviravolta da trama está da metade para frente, quando você já se habituou de certa forma com o "ganha pão" de Audie, depois de uma ótima conversa sobre sintomas, prós e contras disso tudo, e ocorre uma morte. Essa morte levanta pontos extremamente importante para o desfecho, o leitor que se apegar nos detalhes se sentirá bem mais realizado no final! #ficaadica Em decorrência desse fato, Audie terá uma mudança na sua vida, e acaba por "usurpar" se assim posso dizer, uma identidade para conseguir mais rapidamente o dinheiro que precisa, para enfim se livrar das drogas todas. A narrativa da autora é muito agil e marcante. A protagonista quem tem a narrativa, e ela possui um humor negro, que mescla cenas cômicas num contexto forte. "Grotescamente poético". "Acho que tem algo na vida de cobaia, toda essa aposta com a mortalidade, que deixa uma pessoa insensível. Como se fosse difícil apreciar o valor de qualquer objeto, de qualquer coisa, se você já começou a vender a própria carne pela melhor oferta. O que é mais valioso que isso?" Intercalando-se a narrativa da personagem, existem capítulos de reflexão junto ao leitor. Como se a protagonista escrevesse uma carta (ou um blog) sobre todo o lixo desse lado obscuro farmacêutico / medicinal. O que eu queria dizer para vocês por fim, é que tudo parece muito confuso no começo, levando em conta que a maioria dos leitores são leigos no assunto (acredito que salvo estudantes de medicina e farmácia), mas que a trama vai muito, MUITO além desse tema, quando encontramos também doença mental, vício em drogas e ética médica. Uma reflexão que adorei foi o fato da autoavaliação. Por inúmeras vezes Audie mente sobre sintomas para poder participar dos testes. E em cada dez, nove clínicas a aceitam. E é assim na medicina, é assim nos consultórios médicos. Você diz seus sintomas, você praticamente diz sua própria doença, você receita sua própria cura, e na verdade, os médicos aceitam o que dissermos, sem exames, sem muitos questionamentos. "A verdade é essa: a menos que exista um exame de sangue especifico para algo ou que você tenha um buraco aberto e sangrando em necessidade obvia de sutura, há uma quantidade grande pra cacete de suposições envolvidas nesse pequeno campo da pseudociência que chamamos de medicina." O final é incrivelmente inesperado, eu jamais poderia esperar o que encontrei, fez cada ponta solta se fechar e valer a pena cada paragrafo "sem sentido". Um nota da autora no final me fez querer ler tudo que ela já escreveu até hoje. PS: Existe uma cena em que a protagonista discrimina e ridiculariza pessoas que praticam bod yart. Essa parte me incomodou (já que aprecio muito modificação corporal), e me fez pegar raiva da protagonista atrasando minha leitura. Peguei raiva da autora para ser sincera. Acontece que foi tudo proposital, a autora é extremamente esclarecida e usou dessa citação para uma "xeque-mate" lá na frente. Então pode ler sem medo! "Todo mundo tem pelo menos um pouco de loucura rolando logo abaixo da superfície."

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