Paddy Clarke Ha Ha Ha -

    Roddy Doyle

    Estação Liberdade
    2016
    288 páginas
    9h 36m
    ISBN-13: 9788585865061
    Português Brasileiro

    Paddy Clarke Ha Ha Ha é uma memorável história de meninos, ou, como diria The Times, temos aí uma ótima safra 1968 de Dublinenses (em alusão a Joyce). Uma viagem ao final da década de 1960 que deixará qualquer leitor nostálgico de uma época na qual era possível (e necessário) para todo menino de dez anos torcer por árabes ou israelenses, se perguntar por que os ianques implicavam tanto com os "gorilas" no Vietnã, num dos trechos mais hilários do livro, e obviamente tomar partido pelos "gorilas" contra os aviões e tanques. E também encenar jogos de guerra – às vezes levados a sério – ou de índios em quintais de escola ou em canteiros-símbolos do crescimento urbano ladrão de campos de aventura, inventar Grandes Prêmios através de jardins, garagens e cercas vivas, e roubar revistas de futebol (alguns milhões de anos no purgatório) em lojinhas de velhas detestáveis. Tudo isso e mais as rivalidades na escola e o professor sádico-paternalista, as leituras escondidas sob as cobertas, a febre pelo futebol e pelo ídolo George Best, o suplício do rato na privada da casa, as brincadeiras com o coitado do irmão que vivia engolindo sapos e lagartos – e até labaredas, enquanto as irmãzinhas eram tão inúteis que nem chamavam a atenção de nosso aprendiz de macho, que por outro lado se contorcia de medo, assim como toda a classe, em pânico coletivo na fila conduzindo à jovem enfermeira que os examinaria (passagem inesquecível). A vida de um garoto dublinense – mas poderia ser de qualquer lugar, os heróis não são sempre os mesmos? – dotado de incrível imaginação é narrada com precisão cirúrgica por ele mesmo, enquanto vemos se formar, ao longo das páginas, a magistral e imprevisível tempestade derradeira.

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    Rafael07/07/2018Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    A sensibilidade

    Um livro muito sutil, de leitura gostosa. Roddy Doyle me fez em 99,9% da leitura ter a certeza de que era uma criança escrevendo, apesar de ser contada em primeira pessoa, jamais se suporia que era um adulto fazendo as vezes de uma criança. O livro conta a história de Simbard e Patrick, duas crianças "legítimas", posso assim dizer, já que não mascara em nada todos os percalços de uma infância. Por vezes eu soltava um riso irônico de tipo "é realmente dessa forma que acontece". Acho que a grande charada do livro está ai, na forma vivaz à qual o autor percorre a infância e nos faz sentir ou ressentir momentos vividos. Me vi em Patrick, e Patrick me deu um "choque mental" ao me fazer relembrar momentos aos quais passei, alguns não muito bons assim como Paddy, mas totalmente necessário para me tornar o ser humano de hoje. Obs: Como uma criança é muito mais sensível que imaginamos, como uma briga entre seus pais pode afetar em sua vida cotidiana, saio deste livro muito mais consciente de que a formação dos meus, quem sabe, "futuros filhos' passe muito pela minha formação como homem, pai de família e marido.

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