Entrar
    Skoob logo

    Saiba mais

    Quem somosTermos de usoFale conoscoCentral de ajudaPrivacidade

    Fique por dentro

    Livros em destaque

    Explore

    LivrosAutoresEditorasLeitoresCortesias

    Siga nas redes sociais

    Baixe o app

    Google PlayApp Store
    Book cover
    Compartilhar
    Editar
    • Sinopse
    • Edições1
    • Vídeos0
    • Grupos0
    • Resenhas4
    • Leitores78
    • Similares0

    Sagarana (Coleção Clássicos para Todos) -

    João Guimarães Rosa

    Nova Fronteira
    2016
    376 páginas
    12h 32m
    ISBN-13: 9788520927915
    Português Brasileiro
    4.2
    20 avaliações
    Leram39Lendo2Querem34Relendo0Abandonos3Resenhas4
    Favoritos2Desejados34Avaliaram20

    Apresentando a paisagem e o homem de sua terra numa linguagem já então exclusiva, através de contos como “O burrinho pedrês”, “Duelo”, “A hora e vez de Augusto Matraga”, Guimarães Rosa fez deste livro a semente de uma obra cujo sentido e alcance ainda estão por ser inteiramente decifrados.

    Edições (1)

    Ver mais
    • book cover
    Resenhas (4)Ver mais
    Stella Franco picture
    Stella Franco26/05/2021Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Uma escrita primorosa

    Foi uma delícia revisitar Guimarães Rosa! Após conhecer a escrita diferenciada do autor em Grande Sertão Veredas, o trajeto por Sagarana foi bem mais fácil. Composto de 9 contos de diferentes tonalidades, o conjunto da obra é excepcional, sendo que alguns contos para mim se sobressaíram: O burrinho pedrês; Traços biográficos de Lalino Salãthiel ou A volta do marido pródigo; Sarapalha; Corpo fechado, e o meu preferido, A hora e a vez de Augusto Matraga. Encontramos bois conversando e falando do comportamento dos humanos, temos um burrinho com bastante personalidade e uma vingança que deu “errado” (O Burrinho Pedrês), há vingança também em outro conto (Duelo), vemos contos onde a superstição é o principal mote (Corpo Fechado e São Marcos), um conto de redenção de uma pessoa má e que por meios um pouco duvidosos se redime (Augusto Matraga), e outro em que um amor se vai e ficam dois matutos esperando algo acontecer (Sarapalha), um conto sobre a descoberta do amor (Minha Gente) e um conto com uma veia cômica onde um malandro mineiro vai ao Rio de Janeiro tomar aulas de malandragem, um personagem com muita lábia (A volta do marido pródigo). Todos muito interessantes, mas que por um motivo ou outro, na maioria dos casos, por descrições muito detalhadas de bois, chifres, e mesmo natureza como tipos de flores, árvores, trilhas, rios, e xadrez, muitas vezes, para mim particularmente, tornaram-se mais arrastados. Peculiar nesse livro também são os muitos ditados que marquei sempre que os via: “Para bezerro mal desmamado, cauda de vaca é maminha”; “Quem não trabuca, não manduca”; “Não deixo rasto mal firmado! Tou de calça até dormindo! E muitos outros. Outra observação que fiz foi a utilização da palavra redemunho logo no primeiro conto “O Burrinho Pedrês”. Essa palavra foi muito utilizada em Grande Sertão Veredas, livro posterior à Sagarana: “O diabo na rua, no meio do redemunho”. Falar de Guimarães Rosa é bem difícil. Um autor que cria uma linguagem diferenciada, uma língua, um idioma só seu, formando palavras antes com significados independentes e que juntas formam uma terceira que na maioria das vezes diz tudo, sem precisar de dicionário, mas outras vezes pede-se um glossário para um melhor entendimento. Em uma carta a João Condé, Guimarães fala muito dessa questão da utilização de palavras em sentido diverso do usual: “Rezei, de verdade, para que pudesse esquecer-me, por completo, de que algum dia já tivessem existido septos, limitações, tabiques, preconceitos, a respeito de normas, modas, tendências, escolas literárias, doutrinas, conceitos, atualidades e tradições – no tempo e no espaço. Isso, porque: na panela do pobre, tudo é tempero”. (p. 21) “De certo que eu amava a língua. Apenas, não a amo como a mãe severa, mas como a bela amante e companheira”. (p. 22) “Porque o povo do interior – sem convenções, “poses” – dá melhores personagens de parábolas: lá se veem bem as reações humanas e a ação do destino: lá se vê bem um rio cair na cachoeira ou contornar a montanha, e as grandes árvores estalarem sob o raio, e cada talo do capim humano rebrotar com a chuva ou se estorricar com a seca”. (p.22) Cada conto possui sua história e seu desenrolar, e seria exaustivo descrevê-los todos aqui. Caso se interessem, consultem o meu histórico de leitura, que por lá descrevi cada conto e minha impressão sobre a leitura. Finalizo com uma descrição, entre tantas outras que gostei: “Do mais do povinho miúdo, por enquanto, apenas o eterno cortejo das saúvas, que vão sob as folhas secas, levando bandeiras de pedacinhos de folhas verdes, e já resolveram todos os problemas de trânsito. Ligeira, escoteira, zanza também, de vez em quando, uma dessas formigas pretas caçadoras amarimbondadas, que dão ferroadas de doer três gritos”. (p. 252)

    4 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    4.2 / 20
    • 5 estrelas35%
    • 4 estrelas55%
    • 3 estrelas10%
    • 2 estrelas0%
    • 1 estrelas0%
    João Guimarães Rosa profile picture

    João Guimarães Rosa

    Guimarães Rosa foi um dos mais importantes escritores brasileiros de todos os tempos. Foi também médico e diplomata. Os contos e romance escritos por Guimarães Rosa ambientam-se quase todos no chamado sertão brasileiro. A sua obra destaca-se, sobretudo, pelas inovações de linguagem, sendo marcada pela influência de falares populares e regionais. Tudo isso, somado a sua erudição, permitiu a criação de inúmeros vocábulos a partir de arcaísmos e palavras populares, invenções e intervenções semânticas e sintáticas. Consonante aos debates sobre a lírica moderna mundial, sua obra também inovou por criar um modo de fazer poesia num texto em prosa. ___ Guimarães Rosa (João G. R.), contista, novelista, romancista e diplomata, nasceu em Cordisburgo, MG, em 27 de junho de 1908, e faleceu no Rio de Janeiro, RJ, em 19 de novembro de 1967. Foram seus pais Florduardo Pinto Rosa e Francisca Guimarães Rosa. Aos 10 anos passou a residir e estudar em Belo Horizonte Em 1930, formou-se pela Faculdade de Medicina da Universidade de Minas Gerais. Tornou-se capitão médico, por concurso, da Força Pública do Estado de Minas Gerais. Sua estreia literária deu-se, em 1929, com a publicação, na revista O Cruzeiro, do conto "O mistério de Highmore Hall", que não faz parte de nenhum de seus livros. Em 36, a coletânea de versos Magma, obra inédita, recebe o Prêmio Academia Brasileira de Letras, com elogios do poeta Guilherme de Almeida. Diplomata por concurso que realizara em 1934, foi cônsul em Hamburgo (1938-42); secretário de embaixada em Bogotá (1942-44); chefe de gabinete do ministro João Neves da Fontoura (1946); primeiro-secretário e conselheiro de embaixada em Paris (1948-51); secretário da Delegação do Brasil à Conferência da Paz, em Paris (1948); representante do Brasil na Sessão Extraordinária da Conferência da UNESCO, em Paris (1948); delegado do Brasil à IV Sessão da Conferência Geral da UNESCO, em Paris (1949). Em 1951, voltou ao Brasil, sendo nomeado novamente chefe de gabinete do ministro João Neves da Fontoura; depois chefe da Divisão de Orçamento (1953) e promovido a ministro de primeira classe. Em 1962, assumiu a chefia do Serviço de Demarcação de Fronteiras. A publicação do livro de contos Sagarana, em 1946, garantiu-lhe um privilegiado lugar de destaque no panorama da literatura brasileira, pela linguagem inovadora, pela singular estrutura narrativa e a riqueza de simbologia dos seus contos. Com ele, o regionalismo estava novamente em pauta, mas com um novo significado e assumindo a característica de experiência estética universal. Em 1952, Guimarães Rosa fez uma longa excursão a Mato Grosso e escreveu o conto "Com o vaqueiro Mariano", que integra, hoje, o livro póstumo Estas estórias (1969), sob o título "Entremeio: Com o vaqueiro Mariano". A importância capital dessa excursão foi colocar o Autor em contato com os cenários, os personagens e as histórias que ele iria recriar em Grande sertão: Veredas. É o único romance escrito por Guimarães Rosa e um dos mais importantes textos da literatura brasileira. Publicado em 1956, mesmo ano da publicação do ciclo novelesco Corpo de baile, Grande sertão: Veredas já foi traduzido para muitas línguas. Por ser uma narrativa onde a experiência de vida e a experiência de texto se fundem numa obra fascinante, sua leitura e interpretação constituem um constante desafio para os leitores. Nessas duas obras, e nas subsequentes, Guimarães Rosa fez uso do material de origem regional para uma interpretação mítica da realidade, através de símbolos e mitos de validade universal, a experiência humana meditada e recriada mediante uma revolução formal e estilística. Nessa tarefa de experimentação e recriação da linguagem, usou de todos os recursos, desde a invenção de vocábulos, por vários processos, até arcaísmos e palavras populares, invenções semânticas e sintáticas, de tudo resultando uma linguagem que não se acomoda à realidade, mas que se torna um instrumento de captação da mesma, ou de sua recriação, segundo as necessidades do "mundo" do escritor. Além do prêmio da Academia Brasileira de Letras conferido a Magma, Guimarães Rosa recebeu o Prêmio Filipe d'Oliveira pelo livro Sagarana (1946); Grande sertão: Veredas recebeu o Prêmio Machado de Assis, do Instituto Nacional do Livro, o Prêmio Carmen Dolores Barbosa (1956) e o Prêmio Paula Brito (1957); Primeiras estórias recebeu o Prêmio do PEN Clube do Brasil (1963).

    84 Livros
    1.177 Seguidores
    Minas Gerais, Brasil

    João Guimarães Rosa