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    Ouro Vermelho (Coleção Clássicos) - A Conquista dos Índios Brasileiros

    Jonh Hemming

    EdUSP
    2007
    816 páginas
    1d 3h 12m
    ISBN-13: 9788531409608
    Português Brasileiro
    4.3
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    John Hemming conta a segunda parte da derrota dos índios brasileiros, levando-nos até as primeiras décadas do século XX, seguindo o que já havia desenvolvido em Ouro Vermelho, seu livro anterior. Fronteira Amazônica cobre os 150 anos em que os primeiros cientistas europeus exploraram as riquezas naturais da Amazônia e ficaram fascinados por seus povos. Vários encontros com as novas tribos continuaram ocorrendo durante o século XIX, particularmente quando o monopólio seringueiro fez de Manaus uma cidade de fronteira e quando o número de indígenas diminuiu drasticamente, fato que os transformou de inimigos ferozes a objetos de estudos antropológicos ou da literatura romântica. Neste livro, John Hemming cobre o período que vai da expulsão dos jesuítas, em 1759, até a criação do Serviço de Proteção ao Índio no Brasil, em 1910, e abertura de uma nova era de tolerância para com seus povos nativos. Copyright © 2004 - 2016 EDUSP - Editora da Universidade de São Paulo

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    Amapá e Amazônia picture
    Amapá e Amazônia28/02/2018Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    A mais importante história condensada dos primeiros habitantes do território brasileiro, indispensável para compreender o país e para os próprios índios, é publicada agora em português. O autor, historiador e grande estudioso, teve a experiência de deparar com índios isolados em 1961 e de conhecer muitos povos do Xingu e de outras regiões. Com o livro de John Hemming, o primeiro de uma trilogia, podemos seguir o destino dos índios desde a chegada dos europeus, em 1500, até a expulsão dos jesuítas em 1760. Os dois seguintes, ainda não traduzidos, acompanham os índios até nossos dias. Baseando-se num conjunto impressionante de obras de cronistas, viajantes, historiadores, documentos de arquivos e autores contemporâneos, Hemming compõe um enredo único no gênero, revirando a história brasileira pelo avesso – sob a ótica dos índios. Mais uma vez, algumas falsas idéias correntes caem por terra. Uma delas, a da ausência de escravidão indígena no país. Muitos capítulos, da conquista quinhentista ao nordeste holandês, das missões religiosas ou Antônio Vieira à Amazônia devassada, dão um quadro vergonhoso e cruento dos massacres e humilhação dos povos, de seus papéis como escravos, ouro rubro enriquecendo os colonos e europeus que se apossam das terras, gênese da estrutura de poder e propriedade do Brasil. Os confrontos inter-tribais e com os missionários, a opressão religiosa, epidemias e o uso da força bruta assolam os índios. Descarta-se outra idéia equivocada, a de ausência de movimentos indígenas de defesa. Nas páginas de Hemming, a resistência dos nossos povos é admirável, inúmeras as vitórias guerreiras, os heróis e heroínas inquebrantáveis. Rica é a multiplicidade de personagens históricos, exemplares ou monstruosos, índios e outros, com vidas extraordinárias e romanescas – material para escritores e cineastas. Citemos alguns, os mais e os menos conhecidos, como Anthony Knivet, Hans Staden, o Padre do Ouro, Sepé Tiaraju, Padre Fritz, Ajuricaba, Tatabarana e Bernard O´Brien. Vívida é a sociedade indígena que Hemming extrai dos cronistas e observadores coevos. Com Tupinambás, Guaicurus, Omáguas, Parecis, Paiaiás, Janduins penetramos em costumes e cenas paradisíacas, maravilhados por aldeias populosas, infelizmente há muito desaparecidas. O estilo é fluente e literário, com a excelente tradução de Carlos Eugênio Marcondes de Moura. Não se assustem os leitores com o número de páginas – qualquer capítulo pode ser lido separadamente com proveito, um aprendizado da matriz de atitudes brasileiras relativas aos índios – felizmente não as únicas, como esse livro prova. Fonte: diplomatique.org.br

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