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    Carta ao pintor moço -

    Mário de Andrade

    Boitempo
    1995
    31 páginas
    1h 2m
    ISBN-10: 8585934050
    Português Brasileiro
    4
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    Resenhas (1)Ver mais
    Eduardo picture
    Eduardo03/12/2009Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    É um livro muito curioso, e um belo achado da daia. Trata-se uma carta que Mário de Andrade, grande crítico de arte da época [e eterno grande escritor], remeteu a Enrico Bianco, um poeta jovem (hoje bem famosinho, até). Para publicar o texto, Mário revisou e trocou o nome simplesmente pela letra B. Aqui Mário fala sobre o seu modo de ver a arte. Uma carta muito bem escrita, sucinta e espirituoso, que resume as concepções marioandradianas de arte. Eis dois trechos que achei válido guardá-los: "A bem dizer, não existe uma arte de combate. mas si não existe uma arte de combate, toda arte é essencialmente combativa por definição. Pois que ela nunca foi um exclusivo problema de beleza; a beleza não é sinão o elemento transpositor de que a arte se serve pra funcionar dentro da vida humana coletiva." (pag.12) [sic] ---- Você não está cumprindo a sua função de artista que é viver funcionalmente a vida com a sua arte. Você acaso já se perguntou porque, perdido em galos e galinhas (mas que dramáticos galos!) um Portinari estoura de repente num quadro que é São Pedro estertorante agarrando um galo estertorante com as mãos?... Portinari não é religioso, nós sabemos. E mesmo que o fosse: há frases, há dramas que ultrapassam suas limitações históricas classificadoras: Antes que o galo cante, me negarás três vezes... E então São Pedro (e que São Pedro!) agarro o galo, e que galo! Mas você não está desnorteado apenas por causa do desnorteamento, da incultura e da levianice da terra e do grupo em que você vive. Você está desnorteado também em si mesmo. O mundo mudou, B. E mesmo que não mudasse! Você ainda persevera, psicologicamente, no egoísmo feliz de sua mocidade. Pra você a pintura de dez meses se resumiu a um problema de cor! Por favor, não se esqueça nunca que a pintura preliminarmente não é pintura, é Arte. E a Arte tem de servir. (pag. 22)

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    Mário Raul de Moraes Andrade profile picture

    Mário Raul de Moraes Andrade

    Andrade nasceu em São Paulo no dia 9 de outubro de 1893, onde morou durante quase toda a vida até morrer no dia 25 de fevereiro de 1945. foi um poeta, romancista, crítico de arte, musicólogo, folclorista e ensaísta brasileiro. Seu segundo livro de poesias, Paulicéia Desvairada, marcou para muitos o início da poesia modernista brasileira. Em 1922 parcitipou ativamente da Semana de Arte Moderna, que teve grande influência na renovação da literatura e das artes no Brasil.

    125 Livros
    365 Seguidores
    São paulo, Brasil

    Mário Raul de Moraes Andrade