Foi um susto; um grande susto para não se esquecer. E que deixou muitos recados e interrogações sobre os próximos passos políticos do País e sobre como será o segundo mandato de Dilma Rousseff, conquistado no suor das ruas, nas redes sociais e por um triz. Mas apesar do delírio da direita com a possibilidade de retomarem o poder central, o susto passou. Passou no desejo dos lutadores de não verem o retrocesso, na garra da militância petista, que tirou as bandeiras do armário e foi para rua, e dos não petistas, mas que perceberam a armadilha que se desenhava para o Brasil. Mas a massa conservadora ganhou corpo de fato e expressão política: reconfigurou os parlamentos estaduais e federal, para pior, colocando lá gente que não tem vergonha de defender a ditadura e o pior que se esconde em velhos bordões de anticorrupção e a la “tradição, família e propriedade”. Na reportagem de capa, Caros Amigos busca, junto a especialistas, refletir o que se passou e como chegamos perto de entregar o País aos interesses mesquinhos dos neoliberais e à chamada “Bancada da Bala”. Jornadas de Junho? Crescimento evangélico? Erros do PT? Falta de reformas urgentes? Economia? São várias pontas e arestas com as quais o próximo governo terá que lidar, tentar entender e mudar os rumos ou mudar as bases. A luta, dura luta, continua. Comunista Em meio ao susto conservador, o Brasil também viu, pela primeira vez, um comunista conquistar a vaga de governador. Com uma espécie de “frente ampla” contra a dinastia Sarney no Maranhão, Flávio Dino obteve mais de 60% dos votos. Em entrevista, ele conta sobre a conquista e o que pretende em seu governo que vai enfrentar décadas de abandono social e os piores índices de desenvolvimento humano do País. A Caros Amigos também passou um dia em uma ocupação do MTST em São Paulo, onde conviveu com os moradores, fez o almoço e acompanhou os dilemas, problemas e esperanças dos que resistem na luta por uma vida mais digna. Falando em luta por direitos, a revista traz perfil de Frei Tito, cuja morte em consequência das torturas na ditadura completa quarenta anos neste 2014. Na favela A edição também revisitou um dos nomes do cinema e da MPB de protesto dos anos 60, Sergio Ricardo, que há mais de quarenta anos adotou a favela do Vidigal, no Rio de Janeiro, como morada e onde volta a fazer cinema com a ajuda dos “vizinhos”. Do Rio, a edição ainda narra a história por trás da derrubada do Palácio Monroe no governo Geisel, apoiado pela muleta da ditadura na mídia, Roberto Marinho. Uma história pouco conhecida, mas para não esquecer o significado de ditadura, pela qual ainda berra a direita. Boa leitura!
