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    O faz-tudo (Coleção Grandes Traduções) -

    Bernard Malamud

    Record
    2006
    400 páginas
    13h 20m
    ISBN-10: 8501071919
    Português Brasileiro
    4.4
    30 avaliações
    Leram43Lendo3Querem91Relendo1Abandonos1Resenhas8
    Favoritos3Desejados91Avaliaram30

    No fim do século XIX e começo do XX, a Rússia atravessava uma crise sem precedentes. O ambiente político e social deteriorava-se a passos largos. Com a morte do Czar Alexandre II, em 1881, a situação atingiu o ponto de ebulição. Alexandre III, seu sucessor, encontrou na população judia o bode expiatório perfeito. Era o início dos temidos massacres organizados (pogroms) pelo Exército Vermelho às pequenas aldeias (shtetl) judias. Nesse cenário nebuloso, chamou a atenção o caso Beilis. Em março de 1911 um menino cristão foi encontrado morto nos arredores de Kiev. Mutilado e completamente enxágue, o crime foi atribuído a Mendel Beilis, um oleiro judeu que trabalhava próximo à cena do crime. Organizações antissemitas acreditavam que o sangue cristão pueril era a matéria-prima de um macabro ritual judaico, que usava o líquido vermelho para a preparação do pão ázimo. Beilis foi imediatamente considerado culpado, sendo torturado diversas vezes. Cinquenta e cinco anos depois, o escritor americano Bernard Malamud, filho de judeus russos, resolveu recriar o episódio, transferindo o fardo para o personagem Iákov Bok, O faz-tudo. Entediado pela vida amesquinhada em sua aldeia e cerceado pelas leis da Torá, Iákov resolve mudar-se para Kiev. Com poucas ferramentas e na companhia de dois ou três livros amarelados - entre os quais uma biografia do filósofo Spinoza, cujos pensamentos foram o deflagrador de sua partida -, o faz-tudo empreende a jornada que mudará por completo sua existência. Ao chegar à "maravilhosa Kiev, mãe de todas as cidades russas", Iákov salva a vida de um empedernido antissemita, integrante dos paramilitares das Centúrias Negras. Sem saber da origem étnica do faz-tudo, acaba lhe empregando na olaria de sua família. A convivência amistosa entre os dois homens - que se estendia à filha do velho homem - é acidentalmente interrompida pelo assassinato do pequeno Jênia Gólov. Sem chance de defender-se, Iákov é acusado e preso. E resiste, todavia. Resiste ao confinamento solitário, aos grilhões atados a seu corpo e as revistas vexatórias. Na cela fétida e sombria, recusa-se terminantemente a confissão forçada. É o início de uma penosa jornada. Lançado em meio a um vórtice, o faz-tudo dá início a mais longa viagem de sua vida, da qual sairá ciente de suas limitações, sábio da penosa condição humana que o cerca e que se estende aos judeus de sua época.

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    Skooblover19/11/2010Resenhou um livro
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    A punição como forma de liberdade

    Antes de mais nada, o personagem de Yakov Bok em "O Faz-Tudo" de Bernard Malamud, foi esboçado sob a influência do que o autor ouviu acerca de Mendel Beilis, que viveu na Ucrânia entre 1911 a 1913. Porém, os fatos não são idênticos em detalhe, apesar da situação similar de um e de outro. O que os aproxima porém, é a sua inocência, as razões por detrás das acusações feitas aos dois, e a época e local das suas respectivas histórias. Yakov Bok, vivendo num "shtetl", sonha em ir para Kiev. Seus sonhos são rapidamente desfeitos quando é acusado e preso pelo assassinato de um menino cristão. A história é centrada no emprisionamento de Yakov, seu indiciamento e julgamento, apesar de nada estar escrito sobre esse julgamento, tampouco sobre o veredito. Ao resistir confessar por um crime que não cometeu para que possa sair da prisão, Yakov Bok sente-se mais livre do que quando estava no "shtetl". Malamud explora no livro, o significado da liberdade, contrabalançando-se a um outro, o da responsabilidade. O tom é sombrio, o lado mais escuro da natureza humana é revelado, ao contrapor-se a desumanidade do homem contra o homem. Essas questões levantadas por Malamud, estão quase que como no cerne de todo escritor judeu, ao tentar entender e ao mostrar, como ser judeu não importa se num "shtetl", na França (caso Dreyfuss), implica numa parcela de culpa atribuída e não cometida. Roth, Malamud, Saul Bellow, Amos Oz, todos escritores judeus, retrataram as neuroses, obssessões e conflitos de uma raça que apesar da(s) punição(ões), conseguiu ser livre, apesar de tudo.

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    Bernard Malamud

    Foi um romancista e contista americano de descendência russo-judaica. Nascido em Nova York, no bairro do Brooklyn, sua literatura é caracterizada por retratar heróis humilhados e em luta contra o próprio destino. Filho de um comerciante judeu, foi educado no Erasmus Hall High School (1928-1932). No período da Grande Depressão, trabalhou como operário para pagar os estudos. Entrou para o City College de New York (1932), onde recebeu o B.S. (1936). Entrou na Universidade de Colúmbia (1937) onde obteve o Master (1942) e tornou-se professor, especialmente de literatura, profissão que exerceu durante toda a vida, em Nova York, paralela à sua produção literária. Trabalhou em um escritório do Bureau of Census, Washington, D.C. (1940-1948), enquanto ensinava na Erasmus Hall High School. Começou a escrever (1941) e publicou seus primeiros trabalhos dois anos depois: Benefit Performance e The Place Is Different Now (1943). Casou (1945) com Ann de Chiara; de Greenwich Village, e depois ensinou na Harlem Evening High School (1948-1949) e no Oregon State College, Corvallis, Oregon (1949-1961). Depois disso ainda ensinou no Bennington College, Vt. (1961-1966 / 1968-1986), mas dedicou-se quase que exclusivamente a escrever e a viajar pela Europa, Rússia e Israel. Ganhou o National Book Award e um Prêmio Pulitzer com o romance The Fixer (1966), conhecido no Brasil como o famoso O Homem de Kiev. Seus principais romances foram The Natural (1952), The Assistant (1957), com o qual ganhou o prêmio Rosenthal daquele ano, A New Life (1961), Dubin's Lives (1979) e God's Grace (1982). à ficção curta, especialmente contos, marcada pela influência de Anton Tchékov e James Joyce, produziu as coleções The Magic Barrel (1958), com o qual venceu seu primeiro National Book Award (1963), Pictures of Fidelman (1969) e Rembrandt's Hat (1973). Morreu de ataque cardíaco, em New York, N.Y., deixando uma obra frequentemente marcada por motivos e temas judaicos.

    38 Livros
    7 Seguidores
    New York, EUA

    Bernard Malamud