O mágico profissional Red se apaixona por Rosa, uma garota de personalidade muito forte. Quando ela morre, vítima de uma queda de um trem, em um dia e lugar onde não deveria estar, deixa sem resposta uma série de perguntas. A chegada de um misterioso pacote pelo correio lança Red na busca perigosa da solução do enigma da morte e do passado de Rosa.
A Mágica -
Martyn Bedford
bom, mas não tanto
na contracapa e na orelha, a mágica, de martyn bedford, parece fantástico: é a história de um mágico profissional que começa a investigar a misteriosa morte da namorada, que ou pode ter se matado ao saltar de um trem, ou foi morta, empurrada do veículo por um assassino desconhecido por motivo igualmente desconhecido. soa incrível, principalmente na medida em que o personagem (e consequentemente o leitor) vai descobrindo muito mais do que gostaria sobre a vida pregressa da finada, uma garota sobre quem ele realmente sabia bem pouco - o título original do livro, infinitamente mais interessante, é "the houdini girl", o que dá uma pequena pista sobre para onde vai a trama. usando uma ferramenta narrativa semelhante ao do posterior "garota exemplar", a mágica intercala a narrativa em primeira pessoa do mágico com trechos em itálico que dão voz à falecida, quando ela reconta certos episódios que acabamos de saber por meio do mágico através do seu próprio ponto de vista, geralmente alterando o sentido de tudo que sabíamos até então. o grande problema do livro é que, depois de uma primeira metade muito promissora, a trama muda de londres para amsterdam, e aí parece que o autor não sabe mais que tipo de história está tentando contar. a investigação policial soa absurda e "hollywoodiana" demais, com um excesso de acasos inacreditáveis, tipo encontros com peças-chave da história por puro acaso. a conclusão, então, é frustrante. mas o maior problema de bedford é ter um personagem mágico, e uma trama que cita mágica e ilusionismo o tempo inteiro, e usar esses elementos de forma absolutamente gratuita. as habilidades do protagonista não fazem qualquer diferença nos rumos da sua investigação; ele poderia ser um padeiro ou um torneiro mecânico que tudo aconteceria da mesma maneira na história. e truques de mágica são citados por ele apenas como metáfora para tentar explicar episódios da sua vida ou do que ele está fazendo/vai fazer, mas sem um resultado muito prático (novamente, poderia ser um padeiro explicando como prepara seu pão que não mudaria uma vírgula do que acontece em seguida). para mim é um desperdício porque sou fascinado por mágica, e foi isso que me atraiu ao livro em primeiro lugar. pensei que o protagonista mágico usaria suas habilidades como ilusionista para fazer a história andar, tipo um mandrake menos fantasioso. me senti enganado quando cheguei na última página e percebi que o livro todo é um grande truque, mas não no bom sentido; pelo contrário, é uma fraude que promete uma coisa e entrega outra. até pensei que a grande culpada era a editora record, que lançou o livro no brasil destacando-o como um thriller super-original, e até com uma "sobrecapa gimmick" que faz surgir um desenho imperceptível da capa real. aí descubro que, lá fora, "a mágica" foi vendido como "romance erótico", quando na verdade não é nem uma coisa nem outra! então, ou ninguém entendeu direito a proposta do livro, ou os editores perceberam o material fraco que tinham nas mãos e tentaram vender gato por lebre para enganar leitores desavisados como eu - um autêntico truque de ilusionista, mas de mau gosto. ou pode ser que o livro até seja bom, e eu que estava esperando demais mesmo pelo meu próprio fascínio pelo mundo da mágica. de qualquer forma, recomendo como literatura de banheiro (as 400 páginas passam quase voando), desde que com a expectativa bem baixa. não é ruim, muito menos horroroso; mas, de fato, poderia ser muito melhor.
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