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    Box Clássicos da Literatura Francesa (Coleção 50 anos) - A Náusea, A mulher desiludida, O primeiro homem, O amante da China do Norte

    Albert Camus, Simone de Beauvoir, Marguerite Duras, Jean-Paul Sartre

    Nova Fronteira
    2016
    808 páginas
    1d 2h 56m
    ISBN-10: 8520925480
    Português Brasileiro
    4.3
    3 avaliações
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    Quatro títulos num boxe que apresenta para você, leitor, grandes clássicos da literatura francesa. O livro A náusea, primeiro romance de Jean-Paul Sartre, é marcado pelo existencialismo e considerado, pelo autor e pela crítica, a obra de ficção mais perfeita de Sartre. Antoine Roquentin, o protagonista, é símbolo de uma geração que descobre a ausência de sentido da vida e tem de lidar com todos os desdobramentos que essa experiência pode suscitar. Já em A mulher desiludida, de Simone de Beauvoir, temos a reunião de três contos: “A idade da discrição”, “Monólogo” e “A mulher desiludida”. São três histórias distintas, independentes, contadas por suas protagonistas e que refletem sobre a condição da mulher e seu papel na sociedade. Os temas são variados: a solidão, o fracasso, o envelhecimento, o desgaste dos relacionamentos, a subjetividade do discurso e sua relação com a verdade e a mentira. O primeiro homem, de Albert Camus, é considerado um livro inacabado, devido à morte prematura de Camus num acidente automobilístico em 1960. A obra apresenta caráter autobiográfico, uma vez que a história do menino Jacques Cormery remete-nos a aspectos memorialísticos da infância do autor na Argélia, à morte de seu pai e à relação afetiva com sua mãe analfabeta e semissurda. O amante da China do Norte, de Marguerite Duras, narra a paixão proibida de uma adolescente branca e pobre por um chinês muito rico. Entrelaçam-se na história fortes questões político-sociais, das quais emerge uma postura crítica em relação ao mundo e à própria subjetividade. É evidente na obra o comprometimento de Duras com o cinema e o existencialismo. Além de grandes títulos da literatura, indispensáveis em qualquer estante, os livros contam com traduções renomadas de grandes especialistas que, muitas vezes, se notabilizaram nesse ofício ou nos autores traduzidos: A náusea – Tradução de Rita Braga A mulher desiludida – Tradução de Helena Silveira e Maryan A. Bon Barbosa O primeiro homem – Tradução de Teresa Bulhões Carvalho da Fonseca e Maria Luiza Newlands Silveira O amante da China do Norte – Tradução de Denise Rangé Barreto.

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    carol gmeez picture
    carol gmeez12/04/2026Resenhou um livro
    4.5 (Muito bom)

    .

    eu não li o mito de sísifo. eu fui atravessada por ele. não foi uma leitura. foi um choque lento, contínuo, daqueles que não fazem barulho, mas mudam alguma coisa por dentro. eu comecei por causa da lara. não como quem busca conforto, porque no fundo eu já sabia que não ia encontrar. eu comecei porque eu precisava entender. precisava dar nome pra esse buraco que fica quando alguém vai embora assim. precisava acreditar que existe algum tipo de lógica, mesmo que cruel. e aí o albert camus não tenta suavizar nada. ele só abre o livro e me encara. o único problema filosófico realmente sério é o suicídio. e pronto. eu já não tinha mais como sair ilesa dali. o absurdo, pra mim, não foi um conceito que eu aprendi. foi um reconhecimento. aquela sensação de estar viva e, ao mesmo tempo, não conseguir justificar isso. de querer sentido com urgência e receber silêncio em troca. um silêncio pesado. quase físico. e no meio disso tudo, ela. porque ler esse livro foi, o tempo inteiro, tentar chegar perto de um lugar onde eu não consegui chegar quando ela ainda tava aqui. foi tentar tocar, mesmo que tarde demais, alguma coisa que talvez tenha doído nela. mas o livro não explica. isso é o que mais dói. ele não fecha a ferida, não organiza o caos, não transforma tudo em algo compreensível. ele só escancara que o vazio existe e que ele é real. e que, sim, diante disso, desistir pode parecer lógico. isso me atravessou de um jeito difícil de descrever. porque tira qualquer conforto fácil. tira aquela ideia de que sempre dava pra evitar, que sempre tinha uma resposta clara, um caminho certo. às vezes não tem. às vezes é só demais. mas o camus não para aí. ele não aceita o suicídio como solução. não por moral, não por esperança, mas porque, pra ele, isso quebra o confronto. é sair antes do fim. e eu não sei se isso consola. talvez não seja pra consolar. a tal da revolta, essa ideia de continuar mesmo sem sentido, ela não é bonita. ela é dura. é quase um ato de resistência silenciosa. existir sem justificativa, sem promessa, sem garantia de que vai melhorar. e mesmo assim existir. sísifo me cansou só de imaginar. empurrar a mesma pedra, todos os dias, sabendo que ela vai cair de novo. sem progresso, sem finalidade, sem redenção. e ainda assim, o camus diz que a gente precisa imaginar ele feliz. eu não consigo. mas talvez felicidade não seja o ponto. talvez seja consciência. talvez seja o momento em que ele desce a montanha e sabe exatamente o que o espera e mesmo assim volta. não por esperança. não por sentido. mas porque ainda está ali. esse livro não me deu respostas sobre a lara. não me disse por que ela foi. não me trouxe paz. mas ele me deixou mais perto do silêncio que talvez tenha existido nela. e isso, de alguma forma estranha, me atravessa mais do que qualquer explicação pronta. eu ainda queria que ela tivesse ficado. isso não muda. mas agora eu carrego essa pergunta de outro jeito. não mais como algo que precisa ser resolvido, mas como algo que existe. e eu continuo. não porque eu entendi. não porque ficou mais fácil. mas porque, de algum jeito, eu ainda estou aqui.

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    Albert Camus

    Foi um escritor e filósofo francês nascido na Argélia, vencedor do Prêmio Nobel de literatura de 1957. Na sua terra natal viveu sob o signo da guerra, fome e miséria, elementos que, aliados ao sol, formam alguns dos pilares que orientaram o desenvolvimento do pensamento do escritor. Seus temas destacam o isolamento do homem em ambientes estranhos, o absurdo da vida e do universo e o exame da moral e da condição humana.

    120 Livros
    1.304 Seguidores
    El Taref, Argélia

    Albert Camus