Hell House é um dos livros que tinha vontade de ler para a maratona de halloween, mas acabei terminando perto do natal, época que realmente se passa no livro.
Aqui é contada a jornada de dois médiuns, um doutor e sua esposa que são contratados para confirmar a vida após a morte em uma casa mal assombrada.
Em primeiro lugar, já começo por reclamar do uso erótico das personagens femininas, que são abusadas, tocadas e descritas com muita ênfase em um contexto que não faria sentido para isso. Também são demonizadas pelo seu súbito interesse em sexo, apresentadas como vulgares reprimidas (especialmente Edith). As personagens femininas também são as que mais sofrem das assombrações e as mais questionadas também.
Em segundo lugar, o uso dos capítulos. Vamos supor que no final de um capítulo está acontecendo uma cena forte de assombração com um personagem. No começo do próximo capítulo ele está numa cadeira, como se nada tivesse acontecido. Isso acontece MUITAS vezes nesse livro, tirando o senso de que a coisa realmente aconteceu e se perdendo na linearidade, tanto que algumas vezes consultei a hora (que aparece no começo de cada capítulo) por pensar que poderia ter voltado no tempo pra reapresentar uma cena, mas não era isso.
Em terceiro lugar, um ponto finalmente positivo: o uso do Fischer. Ele é um dos personagens que mais tinha me interessado por já ter estado na casa antes e sofrido com ela, mas achei que não estava sendo muito utilizado pela trama e que isso sequer seria abordado. Fui refutado, porque o próprio personagem se questionou várias vezes por não estar fazendo nada, e a partir daí se tornou mais importante pra história.
Essas foram as minhas impressões do livro, que mesmo bebendo (claramente) da mesma fonte que Hill House, ainda conseguiu me assustar genuinamente e me deixar pensando nas possíveis soluções pro final (errei todas🤡). Vale a leitura pra quem quer mais repertório sobre casas mal assombradas, e pra quem quer uma leitura que cative, embora imperfeita.