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    Não Fale Com Estranhos -

    Ruth Rendell

    Círculo do Livro
    1994
    360 páginas
    12h 0m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro
    3.4
    31 avaliações
    Leram72Lendo4Querem39Relendo0Abandonos4Resenhas1
    Favoritos1Desejados39Avaliaram31

    Neste inspirado romance, Ruth Rendell tece uma rede de ocorrências e personagens, oferecendo ao leitor uma trama cheia de nuances e imprevistos. No centro do enredo estão dois grupos de adolescentes para quem o mundo da espionagem significa o máximo da aventura. Utilizando mensagens em código e esconderijos secretos, os bandos rivais, compostos por colegiais ingleses, vão se envolvendo em investigações de pequenos casos que ocorrem em seu meio familiar e social. Enquanto isso, desenrola-se o drama de John Creevey, um homem simples, gerente de uma loja de plantas, que tempos atrás teve sua irmã assassinada e que acaba de perder a mulher para outro. Creevey intercepta uma mensagem cifrada sem saber com quem está lidando.

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    Renan Alves da Cruz picture
    Renan Alves da Cruz05/06/2015Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Não fale com estranhos

    Publicado originalmente no Voltemos à Direita: Sou ferrenho defensor da leitura de ficção, por reconhecer nela a capacidade de desnublar a realidade. A overdose de acontecimentos da contemporaneidade exige que alguém que estime aculturar-se leia o suficiente de não-ficção para equilibrar-se perante o essencial da história, da filosofia e da política, ademais, muitas vezes é na ficção que encontramos a chave que desatravanca nosso raciocínio. Não sou um purista inexorável, que só encontra prazer nos clássicos. Gosto de literatura contemporânea e não me envergonho de ler com frequência teimosa a chamada “literatura de entretenimento”, por ter um mínimo conhecimento da história, que me permite saber que o que muitos intelectuais desprezam hoje, servirá de documento de nossa constituição social no futuro, candidatando-se também à condição de clássico. Tenho sim um preconceito literário. Às vezes até leio um ou outro arrasa-quarteirão, ademais, prefiro livros menos incensados, nem tanto por questionamento de qualidade, mas muito por questão de exclusividade. Adoro a sensação de topar com um livro esquecido num sebo, esgotado há décadas e encontrar nele uma leitura ímpar. É o caso de Não Fale com Estranhos, da inglesa Ruth Rendell, que tendo lido há pouco mais de uma década, optei por reler e o redescobri como um livro melhor do que me lembrava. A obra nunca figurou em listas de mais vendidos, não é reeditada há um bom tempo e nem acredito que seja novamente. Felizmente, é encontrada sem dificuldade em sebos, tanto físicos quanto virtuais, por menos de cinco reais. O suspense psicológico é a forma motriz que mantém o leitor cativado pelas trezentas e cinquenta e poucas páginas do volume. John Creevey é um cidadão tranquilo e solitário que se apaixona já entre os trinta e quarenta anos por Jennifer, uma cliente da floricultura em que trabalha. Ela aceita se envolver, mas revela que ainda é apaixonada pelo antigo noivo, um professor universitário, que a largou dias antes do casamento. E confessa também que se ele reaparecer querendo reatar, ela o fará. John, envolvido, dá pouca importância ao fato, até que o aparecimento do sujeito (um típico intelectual empedernido que nunca arruma emprego) faz com que Jennifer cumpra a promessa. Enquanto a vida sentimental de Creevey entra em declínio, a única coisa que o sustenta é a descoberta involuntária de um ponto de trocas de mensagens cifradas de um grupo de espionagem adolescente, no qual John influirá decisivamente ao interceptar e também enviar mensagens. A construção psicológica do personagem principal lembra o estilo de Patricia Highsmith. As desventuras de John Creevey suscitam perguntas sobre a solidez de nosso caráter. O que é preciso acontecer a um homem para que ele transgrida as convenções? Ele suportará o que lhe foi imputado pela vida, ou desertará a caminho da perversidade? Perguntas que só serão respondidas nas páginas finais desta obra intrigante. Rendell, felizmente, não usa a onipresente desculpa do “fator social” para legitimar ou conduzir seus personagens às veredas da ilegalidade. Seus destinos são determinados pelo caráter que possuem. Recomendo com efusão. Se estiver procurando uma leitura recreativa com substância a baixo custo, Não Fale com Estranhos é pedida excelente.

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    Avaliações

    3.4 / 31
    • 5 estrelas13%
    • 4 estrelas39%
    • 3 estrelas32%
    • 2 estrelas13%
    • 1 estrelas3%
    Ruth Barbara Rendell profile picture

    Ruth Barbara Rendell

    Filha de professores, Ruth Barbara Rendell, que também escreve sob o pseudónimo Barbara Vine, terminou os seus estudos secundários no Loughton County High School, no Essex. Deu então início a uma carreira no jornalismo, desempenhando as funções de repórter e subeditora em diversos periódicos regionais. Em 1950 casou com o colega Don Rendell e, engravidando do seu primeiro e único filho, abandonou o trabalho para se recolher ao lar. Decorreram cerca de dez anos durante os quais Ruth Rendell utilizou os tempos que lhe sobravam das lides domésticas para se experimentar na escrita, tentando vários géneros literários, fixando-se afinal no do romance policial. Assim, publicou o seu primeiro livro em 1964, com o título From Doon With Death. Neste romance, a escritora apresentava o Inspector Reginald Wexford, detective da pequena localidade de Kingsmarkham, personagem que obteve desde o começo grande popularidade. Seguiram-se muitos outros volumes, entre os quais To Fear A Painted Devil (1965), Vanity Dies Hard (1966) e Wolf To The Slaughter (1967). Durante a década de 80 começou a publicar romances policiais utilizando o pseudónimo Barbara Vine para exprimir uma sua faceta mais psicológica. As obras assim assinadas constituíram um sucesso de vendas bastante significativo. Escritora prolífica, publicou cerca de meia centena de livros policiais, que a crítica dividiu em três categorias. Uma série dedicada ao Inspector Wexford, de que podem destacar Kissing The Gunner's Daughter (1992) e Road Rage (1997); uma outra à psicologia patológica, marcada sobretudo por obras como A Judgement In Stone (1977) e The Lake Of Darkness (1980); e os romances que assinou como Barbara Vine, de que se podem salientar A Fatal Inversion (1987) e King Solomon's Carpet (1991). Vencedora de vários prémios literários da especialidade, Ruth Rendell foi nomeada membro vitalício da Câmara dos Lordes do Parlamento britânico, com o título de baronesa Rendell de Babergh.

    51 Livros
    31 Seguidores
    South Woodford, Inglaterra

    Ruth Barbara Rendell