Onisciente contemporâneo é um conceito que nos identifica como grupo. É um tipo de narrador. O narrador de que Assis Brasil mais falou no trigésimo ano da sua Oficina de Criação Literária. Aquele que, entre outros aspectos, traz as notas de rodapé para dentro do texto e transforma a narrativa numa grande dissertação sobre o nosso tempo. Onisciente contemporâneo é o sujeito contemporâneo. A inteligência coletiva. Somos todos nós, que vivemos conectados, mas que não perdemos a ligação com o humano e com a emoção. Tempus edax rerum – o tempo devora as coisas – diz o Ovídio das Metamorfoses. Quando revejo os trinta anos de oficina de criação literária da PUC-RS, quando percebo seus resultados, quando me alegro com um livro como este, sei que o tempo não devorou o talento e a dedicação dos meus alunos que, após um bom período trocando ideias com seus pares em sala de aula, mostram-se dispostos a expor, de público, tudo o que sabem. Temeridade? Nunca. Como os conheço, um a um, posso dizer que os leitores sairão compensados com o prazer, o conhecimento e a transformação [lembrando W. Iser] que a boa literatura pode nos proporcionar. Parabéns a eles, e anotem esses nomes, porque essa é uma caminhada que os conduz aos melhores destinos. Luiz Antonio de Assis Brasil.


