Um lugar ao sol -

    Érico Veríssimo

    Editora Globo
    1980
    412 páginas
    13h 44m
    ISBN-13: 0000000000007
    Português Brasileiro

    Um Lugar ao Sol retoma personagens de obras anteriores de Erico Verissimo, como Clarissa e Música ao longe. Essas narrativas, todas protagonizadas por Clarissa, estão, ao lado de O tempo e o vento, entre os textos de maior sucesso do escritor. Depois que o pai foi assassinado a mando do prefeito de Jacarecanga e a família perdeu seu casarão, a jovem professora Clarissa se muda para Porto Alegre com a mãe e o primo Vasco. Primeiro eles se hospedam na pensão de tia Eufrasina (cenário de Clarissa); depois na casa da professora Fernanda (em Caminhos cruzados). Enquanto Clarissa enfrenta precocemente a luta pela sobrevivência na cidade grande, Vasco se envolve com a boêmia local e conhece um estudante de medicina cujas atividades revolucionárias incitam a ira do Estado policial. Publicado originalmente em 1936, Um lugar ao sol reflete os esforços de Erico para criar um romance que, segundo a personagem Fernanda, contenha “o mínimo de literatura e o máximo de verossimilhança”. Ou seja, pouco rebuscamento e muita verdade. Descrevendo “a cidade grande com seus dramas”, o escritor não é complacente ao fazer um retrato do espetáculo humano. O resultado é uma dose alentada de vida, capturada em sua essência mais laboriosa e vibrante, por vezes negra, mas sempre profundamente emocionada.

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    Clio picture
    Clio02/10/2023Resenhou um livro
    3 (Bom)

    O lirismo de Veríssimo finalmente dá lugar a sua escrita mais realista, caucada na miséria e na praticidade que transformam o cotidiano simples em algo mais duro, mais queimado de sol. Essa obra não deve ser encarada como algo pessimista, apesar de retomar os personagens Vasco, Clarissa e Dona Clemência de obras posteriores - Clarissa e Música ao Longe nunca foram referidos como uma trilogia pelo autor - é nítida a ideia do autor de sobrepôr as fantasias da juventude com a dureza da fase adulta. Não é uma vingança e não há nada de voyeuristíco nessa obra. Mesmo os momentos de maior tensão entre Amaro, Fernanda e Clarissa, os quais não são propriamente parte de um triângulo amoroso, ainda deixam entrever que são acasos narrados pelo autor como alguém que observa o mundo a sua volta, sem propriamente lubricidade ou rancor. É o olhar levemente curioso de quem fuma um cigarro na janela. Recomendo.

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