Sriperumbudur, 22 de maio de 1991. Um atentado tira a vida de Rajiv Gandhi, e a Índia perde seu maior protetor. Mas a morte de Rajiv não é o fim do amor que despertara em Sonia Ghandi, uma italiana que abandonou a terra natal para ficar ao lado de seu amado. Em Nova Délhi, Sonia precisa ajudar seu povo e sua política, a se manter nos rumos de uma grande nação. Com verdadeira magia narrativa, Javier Moro relata a grande saga familiar dos Nehru-Ghandi, homens e mulheres presos nas garras do poder, prisioneiros de um destino que não escolheram, o mesmo que levará Sonia a encarnar as esperanças de 1,2 bilhão de pessoas no país do Mahatma Ghandi.
O sári vermelho -
Javier Moro
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O livro O Sári Vermelho, do espanhol Javier Moro, nos traz a história da família Gandhi, mais precisamente de Sonia Gandhi, a italiana que abandonou tudo por amor. Com um rico panorama histórico e um romance forte e pungente que vai se descortinando pouco a pouco, acompanhamos a saga de uma família pela Índia, lutando por igualdade para todos e, acima de tudo, por aquilo que julgam ser o correto. Em 1965, Sonia Maino, uma jovem estudante italiana de dezenove anos, conhece em Cabridge o indiano Rajiv Gandhi. Ela é filha de uma família simples que mora em Turim; já ele provém de uma linhagem poderosa da Índia. Ali, se inicia uma história de amor que nem a morte é capaz de quebrar, fazendo com que a italiana abandone seu mundo e sua cultura e mergulhe em um país completamente diferente, que adora milhares de divindades, fala trocentos idiomas e tem uma visão política bem heterogênea. Sua coragem, determinação e entrega a tornam uma espécie de deusa para a população, que corresponde a um sexto da humanidade. Porém, em 22 de maio de 1991, um atentado tira a vida de Rajiv Gandhi, assim como ceifou a vida de sua mãe, Indira, fazendo com que a Índia perdesse o seu maior protetor. Entretanto, sua morte não culmina no fim do amor que despertara em Sonia, o que faz com que a italiana guie seu povo e sua política rumo a uma grande nação. O Sári Vermelho nos traz a trajetória da família Nehru-Gandhi e o seu desejo utópico de uma Índia igualitária e independente e o título da obra se refere a peça de vestuário que foi tecida por Jawarharlal Nehru na prisão e que foi usada nas cerimônias de casamento de Indira, Sonia e, mais tarde, na de Priyanka. Javier Moro nos dá uma verdadeira aula de história, não só sobre a política deste país asiático, como também sobre seus costumes, tradições, lutas religiosas, corrupções, relações internacionais, dentre outros temas. Narrado em terceira pessoa de forma bem panorâmica e abrangente e norteado por uma rica bagagem histórica, acompanhamos um enredo de viés biográfico, que fala sobre amor, dever, patriotismo e, acima de tudo, esperança. "Quando estamos apaixonados, o amor no dá uma força muito poderosa. Armados com essa força, nada dá medo. Só queremos a pessoa que amamos." Sonia é uma mulher forte e que se absteve de tudo por amor. Vinda de família fervorosamente católica, foi muito difícil pra ela se adaptar as religiões e costumes daquele país, bem como a sua culinária, totalmente diferente dos sabores e texturas das massas italianas. Mas o seu amor por Rajiv foi o combustível que a guiou e que também a manteve na Índia, mesmo sendo totalmente avessa a política e fazendo de tudo para não se envolver com a mesma. Ela e Indira sempre se deram super bem, o que acabou até mesmo despertando o ciúme de outros membros da família real. Ambas são mulheres fortes, de personalidade, que apregoam o amor e lutam com unhas e dentes pelo bem-estar daqueles que amam. O mais curioso sobre Sonia é que, mesmo aconselhando Rajiv a ficar longe do posto de primeiro-ministro e fazendo de tudo para se afastar da política, as engrenagens do destino acabaram a colocando bem no meio dela durante o seu período de luto. Mesmo contrariada, ela assumiu o posto por amor a sua família e ao seu povo, encarnando as esperanças de 1,2 bilhão de pessoas na terra de Mahatma Gandhi. Até hoje apontada como uma das mulheres mais poderosas e influentes do mundo pela Forbes, a italiana fez e ainda faz sua história em solo indiano e, em 2017, foi sucedida no cargo de presidente do Congresso Nacional Indiano por seu filho, Rahul Gandhi. Em síntese, O Sári Vermelho nos traz um relato de moldes biográficos sobre a epopeia dos Neru-Gandhi e como eles acabaram sendo prisioneiros de um destino que não escolheram, sobrevivendo a tragédias, conspirações e atentados, mas dando esperança e um novo sopro de vida para o tão sofrido povo indiano. Repleto de costumes, tradições e um rico panorama histórico, o enredo de Javier Moro nos mergulha pela cultura indiana e nos traz o retrato de personalidades fortes, exóticas, poderosas e de grande importância na construção da Índia independente. A capa nos traz a imagem de uma indiana ornada em um sári vermelho e a diagramação está ótima, com fonte em bom tamanho, revisão de qualidade e um acervo de fotografias no miolo do livro. Recomendo ☺
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