Acho que hoje morreu algo em mim. Tem morrido a cada dia e sinto que isso é bom. Talvez seja o processo natural deste luto, talvez seja o nascimento de um novo ser, sim, um Alguém. Vejo a vida com novos “óculos”, ou mesmo novos olhos. Despeço-me hoje de alguém em mim. Acordo de um sonho chamado esperança. Espero que “futuro” seja uma palavra aliada e me reserve coisas boas. Acho que até hoje tive, sim, alguma espécie de esperança de que tudo fosse mentira ou erro de laboratório. Despeço-me dela, sem olhar para trás. Beijo a esperança. Reagente nem sempre é ruim. Hora de reagir.
O Segundo Armário - Diário de um jovem soropositivo
Gabriel Abreu
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Ver maisNa sociedade carregada de preconceitos em que vivemos, a homossexualidade é perseguida e discriminada ferozmente, para os portadores do HIV essa intolerância é muito maior. Ao dizer "o segundo armário", Gabriel Abreu refere-se ao fato de ter que se esconder, pelo fato de carregar em seu organismo esse vírus. Em abril de 2011, Gabriel recebeu a notícia que mudaria toda a sua vida: Seu último exame havia sido positivo para HIV-1. Ele sempre fez exames com regularidade e também sempre se protegeu, mas em algum momento foi infectado pelo vírus. Sem ter com quem conversar, ele vive momentos de desespero, aflição, tristeza... Momentos difíceis, em que não conseguia enxergar além da sua própria fragilidade e entregou-se aos medos. Poucas semanas após a descoberta, Gabriel decidiu criar um blog para poder extravasar, era uma maneira de desabafar, poder contar para alguém sem ter sua identidade revelada. Em suas postagens escrevia sobre o seu cotidiano, fazia do blog o que ele realmente é: um diário virtual. Passou a receber apoio de outros blogueiros e a interagir na blogosfera. Esse livro, "O segundo armário: O diário de um jovem soropositivo", nos traz os textos que o autor escrevia em seu blog. Está organizado em ordem cronológica e podemos acompanhar como Gabriel foi lidando com a soropositividade. Fora do blog, Gabriel vai sentindo confiança em amigos próximos, ao ponto lhes contar e poder ter alguém que o ampare nos momentos de tristeza e preocupação. Uma de suas maiores inquietudes é contar ou não para a sua família, não quer provocar sentimentos devastadores em sua mãe e tenta esconder pelo maior tempo que consegue. Claro que o desânimo é natural, mas Gabriel nos mostra que a esperança é essencial, que é preciso adaptar-se à essa nova condição e tornar-se mais forte do que antes. E quero deixar um recado antes de contar minhas impressões, algo importante que o autor nos fala nas primeiras páginas e vejo não só como um desabafo, mas também como um alerta: "AIDS não é coisa de homossexual, mas de desprevenidos." Veja algumas das questões abordadas no livro e saiba mais detalhes sobre a obra, acesse o link > http://vocedebemcomaleitura.blogspot.com.br/2016/09/resenha-o-segundo-armario-diario-de-um.html
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