A Imperatriz Elizabeth da Áustria-Hungria popularmente conhecida como Sissi foi uma das mulheres mais famosas de seu tempo. Consorte de um dos domínios mais poderosos do mundo, sua beleza era lendária assim como sua infelicidade e suas longas ausências.
Sua infância foi quase bucólica. Apesar da relação conturbada dos pais, Sissi cresceu na propriedade de verão da família, visitando a corte da Baviera durante a alta temporada. Aos 17 já era considerada uma beldade e acabou conquistando o coração do Imperador da Áustria, com então 24 anos, Franz Joseph.
O casamento parecia um conto de fadas: a bela jovem que se casava com um homem influente, entrava para uma poderosa família e ocupava um trono altamente cobiçado. Porém, nem tudo o reluz é ouro a corte dos Habsburgo era sufocante com tantos protocolos e regras; os cortesãos nunca aceitaram a escolha do soberano e as críticas eram brutais; os casos extraconjugais do marido eram fonte constante de decepções; quando os primeiros filhos chegaram, a criação ficou sob a responsabilidade da sogra. Ainda assim, Sissi mantinha algum controle sobre si, mas tudo ruiu depois da morte da sua primogênita, Sofia. Ao longo dos anos, ela passava cada vez mais tempo longe, ignorando seus deveres e até mesmo a família. A única constante em sua vida era a caçula, Valerie, que levava para todos os lugares.
Quando penso em Sissi, muitas características passam pela minha cabeça. Ela tinha várias coisas que chamam a atenção: beleza, prestígio, dinheiro e influência. Apesar dos privilégios, nunca foi feliz. Ao contrário de outros nobres que conseguiam navegar pelos meandros da nobreza, ela não se encaixou na corte ou conseguiu esconder sua insatisfação.
O que Allison Pataki procura fazer em seu livro é imaginar como essa mulher poderia ter se sentido em vários momentos da vida, enfrentando situações diversas. A imagem criada pela autora é a de uma mulher livre, cheia de paixões, mas presa na sua realidade.
Confesso que não me senti conectada com a personagem. Obviamente, não sou nenhuma especialista em Imperatriz Elizabeth, mas enxergo essa mulher como alguém tão complexa e cheia de questões, que senti falta de mais profundidade durante a narrativa.
Durante uma conversa entre a protagonista e uma de suas damas, a funcionária fala que a patroa com relação à família que sempre deixa para trás age como se fosse uma fada madrinha: ela aparece de repente, melhora temporariamente a vida das pessoas ao seu redor, mas some de novo sem realmente fazer sua mágica. Isso resume toda a impressão que tive durante a leitura. Ela é pressionada, fica infeliz, viaja, passa meses fora, volta...
A leitura fluiu e eu gostei da relação de respeito e amizade que a autora criou entre Sissi e o marido conforme os anos passam, mesmo que não exista nenhum romance entre eles. Gostaria que a personagem tivesse sido mais trabalhada, ganhando mais nuances e não fosse apenas a mulher incompreendida, bela, triste e boazinha. Apesar disso, terminei com muita vontade de ler biografias sobre ela, o que caracteriza um saldo positivo para mim. Sissi tinha tudo para ter uma vida dos sonhos, mas, no fim, não passava de ilusão.
Recomendo para quem gosta de ficções históricas e deseja uma narrativa envolvente.