Receber essa edição da @unespeditora foi um privilégio — e um desafio. Já havia lido Os Sofrimentos do Jovem Werther e me encantado com o lirismo trágico de Goethe. Mas aqui, em Conversações, a experiência é outra: não lemos ficção, e sim o registro atento de quem conviveu diariamente com um dos maiores nomes da literatura ocidental nos seus últimos anos de vida.
Johann Peter Eckermann, discípulo e confidente, transformou as conversas cotidianas com Goethe em um testemunho raro e precioso. A cada página, mergulhamos nos pensamentos do autor sobre arte, política, religião, ciência e, claro, literatura. São reflexões espontâneas, quase sempre profundas, que revelam um Goethe consciente de sua posteridade, mas ainda muito humano — contraditório, generoso, afiado.
Confesso: por não ter lido mais obras de Goethe, senti que deixei passar algumas nuances. É uma leitura que exige bagagem, tempo e contemplação. Ainda assim, fui tocada por muitas passagens e fascinada por sua clareza de pensamento. A edição da Unesp contribui imensamente para essa experiência: capa dura belíssima, excelente tradução e projeto gráfico que convida à leitura atenta.
Nietzsche disse que este era o melhor livro já escrito em alemão. Walter Benjamin o chamou de um dos maiores livros de prosa do século XIX. Após a leitura, entendo por quê.