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    O reino do amanhã -

    J. G. Ballard

    Companhia das Letras
    2009
    368 páginas
    12h 16m
    ISBN-13: 9788535913705
    Português Brasileiro
    2.8
    31 avaliações
    Leram48Lendo2Querem99Relendo0Abandonos3Resenhas4
    Favoritos3Desejados99Avaliaram31

    Richard Pearson, um publicitário desempregado, chega de Londres ao subúrbio de Brooklands para enterrar seu pai, morto por uma bala aparentemente perdida no grande shopping center local, o Metro-Centre. Ao investigar as circunstâncias da morte do pai, Pearson descobre aos poucos uma situação complexa e incômoda. A vida da cidade gira em torno do Metro-Centre, enorme catedral do consumo que conta com hotéis, clubes esportivos, praia com ondas artificiais e até um canal de tevê a cabo. É o Metro-Centre que irradia a ideologia da população local, altamente consumista e xenófoba. Nesse caldo de cultura, Pearson detecta a emergência de um novo fascismo, que se manifesta nos ataques violentos, disfarçados de hooliganismo esportivo, contra imigrantes asiáticos e do leste europeu. A apoteose do consumo, as pulsões agressivas canalizadas pela publicidade, as tensões étnicas e nacionais, tudo parece conduzir a um conflito social de grandes proporções. Ao mesmo tempo ator e vítima desse processo, o protagonista narra os fatos oscilando entre o cinismo e a perplexidade.

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    Christiane Depooter24/07/2021Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Richard Pearson é um publicitário que está desempregado e que acaba de perder seu pai que faleceu com uma bala perdida num tiroteio num shopping o Metro-Centre que fica na periferia de Londres, um mundo este que o próprio Richard ajudou a criar através do marketing e da publicidade gerando o anseio pelo consumismo. Ele vai até esta cidade de subúrbio, Brooklands onde vivia seu pai para seu enterro e depois para cuidar do testamento, mas ele também começa a querer saber quem era este pai, uma vez que quase não tiveram contato devido a separação entre ele e sua mãe. Um piloto de avião aposentado que tinha em suas estantes de livros obras sobre o nazismo. Aos poucos Richard vai se envolvendo nesta cidade periférica e percebe que tudo gira em torno do mega shopping que promove o futebol, outros esportes, e que mais se parece com um templo religioso do que com um mero centro de compras. Além do mistério que envolve a morte de seu pai que ele tenta desvendar o que mais o instiga é a mente das pessoas que vivem ali e do que realmente acontece naquela região. Um crítica mordaz ao consumismo, a vida que as pessoas levam atualmente onde não se cria um sentido, mas se vive no tédio, a busca de preencher estes vazios e tédio, onde um shopping e seu garoto propaganda nos lembram o fascismo, de como as pessoas se deixam levar por um líder em busca de algo que nem sabem ao certo o que é, desde que algo se modifique em suas vidas, desde que o tédio vá embora. A agressividade latente, algo primitivo, que está por baixo de todos ali e pronto para explodir, ser canalizado por um líder carismático que saiba conduzir a turba. Eles usam camisetas com a cruz de São Jorge, focam inicialmente nos outros, os diferentes, os asiáticos, os de Kosovo, os estrangeiros e em seu comércio lateral, mas chegará o momento em que nem isto os satisfaz mais. Um shopping, um templo, onde todos os produtos de desejo, de consumo acabam se tornando totens, e os displays santuários a serem idolatrados, como os três ursos emblemáticos que ficam no átrio do mega centro de consumo. Eles ficam tão sem sentido que passam a desejar ser aqueles objetos de adoração, introjetam o que os objetos representam como se introjeta um totem, sua força, seu significado, o sagrado. Um livro para nos fazer pensar sobre a sociedade atual. Há talvez alguns exageros, mas nem tanto, a paranoia é algo muito fácil de surgir do nada. As pulsões coletivas que podem ser canalizadas para um foco, e com certeza já vimos isto antes. E Richard fica no meio, se por um lado ele percebe tudo isto, por outro não consegue deixar de se apoderar disto para seu ego se satisfazer profissionalmente. Um grande alerta!

    2 curtidas

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    • 1 estrelas13%
    James Graham Ballard profile picture

    James Graham Ballard

    Nasceu em 1930, em Xangai, na China. Depois do ataque a Pearl Harbor, foi mandado com sua família para um campo de prisioneiros. Voltou à Inglaterra em 1946 e relatou sua experiência no romance autobiográfico Império do sol, levado ao cinema por Steven Spielberg. Estudou medicina e foi piloto da RAF no Canadá. Publicou seu primeiro conto em 1956. Dono de uma vasta e premiada obra, seu primeiro romance, <i>The drowned world</i> (1962), foi considerado um divisor de águas na ficção científica. Morreu em 2009, vítima de câncer.

    111 Livros
    32 Seguidores
    Xangai, China

    James Graham Ballard