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    Luz - O Deus do Horror

    Andrei Simões

    Kindle
    2021
    224 páginas
    7h 28m
    ISBN-13: 9788568366325
    Português Brasileiro
    4.6
    12 avaliações
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    Favoritos6Desejados16Avaliaram12

    E se o regente deste mundo não se chamasse Amor? E se o medo fosse o alimento e instrumento de controle de um deus humano, demasiadamente humano? Obras de terror vão muito além do susto e do medo. Elas podem também servir para nos fazer pensar sobre a nossa realidade e a do mundo. Entrando em uma espiral descontrolada de seres que habitam os pesadelos mais assustadores da espécie humana, a boneca, o fantasma de uma criança, o monstro da estrada, o quadro mal-assombrado e outros arquétipos do gênero, as personagens deste livro se depararão com o mais puro horror e descobrirão verdades que poderão alterar o curso da própria vida humana. A cada capítulo, histórias de um terror absoluto serão contadas, através de gritos ecoantes em vários lugares do mundo, de uma capital na Amazônia brasileira a um esquecido vilarejo chinês; todas diretamente interligadas, em um romance seriado que se direciona a um clímax épico, surtado, filosófico e inesquecível. Afogando-se no próprio sangue, o ser humano conseguirá se libertar das correntes que ele mesmo criou para si? Na intensidade de um soco literário, Luz é um retrato atualíssimo sobre a ausência de crença em nossas existências, diante de um mundo de alienação social e religiosa que nos impõe nada além de medo e controle, o vigiar e punir de cada dia. Divertido. Apavorante. Reflexivo. Uma homenagem e ao mesmo tempo uma profunda e original subversão ao gênero. Permita-se. Abra este livro e entenda que só amamos a luz porque temos medo do escuro.

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    Clara Gianni picture
    Clara Gianni23/12/2016Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Vida longa à nova carne

    (Resenha escrita em 12/10/16) Terminei Luz, o deus do horror algumas horas antes de escrever este texto, e precisei de um tempo para fechar os olhos, respirar fundo e absorver cada nuance, ironia, reflexão e delírio impressos no livro. Trata-se do terceiro volume das Crônicas da Não Existência, antecedido de Putrefação e Zon, o rei do nada, duas obras que esgotaram completamente minha sanidade depois que as terminei, apenas para cuspi-la de volta em meu rosto, recalibrando a consciência de que tudo um dia acaba, de que tudo um dia vira nada. Em Luz, o deus do horror, Andrei não decepciona, despindo-se completamente de quaisquer amarras e convenções que o impedissem de cuspir em nossos rostos e provocar-nos, uma vez mais, e com ainda mais intensidade, acerca da verdade por trás das máscaras da vida comum. Se é verdade que o divino é a criação mais engenhosa e intrincada do ser humano - aperfeiçoada e lapidada ao longo dos séculos -, também é verdade que os demônios e entidades sobrenaturais maléficas presentes nos antigos mitos desde os tempos imemoriais também o são. Com estes anjos bizarros travamos guerras entre criador e criatura, por dias, anos, séculos, milênios, como um ouroboros mordendo eternamente a própria cauda em um ciclo infindável - o eterno retorno descrito por Nietzsche. Em algum momento, é inevitável que se pergunte: até quando? Cada um dos contos do livro resgata os instintos e paixões primordiais da alma humana - o medo, a dor, a fome, a vontade, a autopreservação - travestindo-os de monstros grotescos, sanguinolentos e viscerais para, ao fim da trama, rasgar as cortinas e revelá-los como um reflexo putrefato de nós mesmos, nossos próprios demônios e criações, quebrando novamente a quarta parede através da figura de "Aquele que Lê", nós, leitores omissos e observadores passivos diante do show de horrores se desenovelando à nossa frente. O deus do horror possui espelhos no lugar de olhos e, se os olhos são as janelas da alma, as órbitas do horror se alimentam da omissão de cada um de nós. Em Putrefação, tivemos acesso à decadência do indivíduo na ausência do mito do criador para salvá-lo da morte. Em Zon, questionamos o criador frente à criatura. Luz, por fim, quebra todas as barreiras entre estes dois, ao ponto de que é impossível realmente sabermos quem é criador ou quem é criatura, em um eterno ciclo dialético pelo qual a humanidade se arrasta em patinhas de barata. Luz, o deus do horror é um livro belo em sua assimetria grotesca, em seu choque de realidade niilista e minimalista do qual seus leitores (eu inclusa) jamais conseguirão se esquecer. Parabéns a todos os envolvidos neste trabalho estupendo.

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    4.6 / 12
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    • 4 estrelas17%
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    Andrei Simões profile picture

    Andrei Simões

    O escritor de terror, roteirista, biólogo e mestre em comportamento Andrei Simões tem 45 anos e publicou os livros “A Espiral” (Web, 2000), “Putrefação” (Novo Século, 2005), “Zon, O Rei do Nada” (Empíreo, 2013), “Luz, O deus do Horror (Twee Editora, 2016), “777”(Horrorfant, 2018), “TAU – O Senhor da Putrefação” (Folheando, 2019), “A Fábula Rubra”(Horrorfant, 2020), “Pactos de Família” (Kindle), além de contos publicados e é organizador de diversas antologias nacionais. É considerado o primeiro autor de terror belenense, pois publicações anteriores de Inglês de Sousa e outros flertam com o sobrenatural, mas não são obras de terror como gênero. Antes disso, Andrei, que escreve desde os 13 anos, foi ensaísta em diversos blogs, revistas eletrônicas, autor de projetos artísticos na internet e publicou um livro de modo inteiramente virtual, intitulado “A Espiral”, em 2000, onde de maneira vanguardista, foi o primeiro autor paraense a publicar um E-book. É ativista literário, organizando e participando de eventos de fomento à literatura amazônica. O autor desenvolve atualmente, além da literatura, roteiros para games, dramaturgias e roteiros para o audiovisual. O escritor e roteirista também ministra cursos de escrita criativa pelo projeto Arte da Palavra, do Sesc nacional, em todo país, tendo ministrado apenas pelo Sesc sete oficinas, fora as de instituições particulares. O autor participou de comissões julgadoras de literatura, como o prêmio nacional SESC de literatura, na categoria romance e o prêmio Fox-Empíreo de literatura. Foi também membro criador e organizador da Feira Literária do Pará, durante os anos de 2014 a 2018. Durante o ano de 2019, foi membro da comissão organizadora da Feira Pan Amazônica do Livro e suas Multivozes, evento do governo do estado do Pará. Em 2020 e 2021 foi premiado pela Secult e FCP em dois projetos literários de oficina de escrita e distribuição de livros para o SESC e foi autor convidado da 24º Feira Pan-Amazônica do Livro e das Multivozes, como escritor, além de ter apresentado uma performance multimidiática de sua autoria intitulada “Imputrefato”.

    11 Livros
    12 Seguidores
    Pará, Brasil

    Andrei Simões