Senhor Proust - Lembranças recolhidas por Georges Belmont

    Célest Albaret

    Novo Século
    2008
    445 páginas
    14h 50m
    ISBN-10: 8576791528
    Português Brasileiro

    “Querida Celeste” era assim que carinhosamente Marcel Proust tratava àquela que viveu ao seu lado durante os oito anos fundamentais de sua vida. Céleste era a empregada de Proust. Ela sabia todos os detalhes de sua vida. Conhecia seu passado, suas amizades, seus amores; sabia até o que ele pensava. Ela passava noites ao lado de Proust o ouvindo ler em voz alta capítulos de seus livros. Após a morte de Marcel Proust, em 1922, Céleste Albaret foi uma das pessoas mais assediadas para contar as lembranças e as histórias vividas ao lado de um dos maiores nomes da literatura mundial. Durante 50 anos ela se recusou a falar sobre Proust. Para ela seria uma traição. Mas aos 82 anos Céleste mudou de idéia. Julgou que muitos escritores, mesmo não sabendo a verdade, estavam traindo Proust escrevendo sobre sua vida. Nasceu assim a obra Senhor Proust, considerada em matéria publicada no jornal Folha de São Paulo, em 2005, assinada pelo jornalista Alcino Leite Neto “o mais célebre livro escrito por um empregado.” George Belmont ouviu a história de Céleste e a organizou em temas e capítulos. Senhor Proust ganhou uma adaptação para cinema. O filme “Céleste” foi dirigido pelo alemão Percy Adlon, e tinha Eva Mattes no papel principal. Marcel Proust é cultuado e reconhecido como um dos grandes reinventores do romance moderno. Nascido em Anteuil, perto de Paris, em 1871 com diversos problemas de saúde, Proust tornou-se autor de clássicos da literatura como: Sodoma e Gomorra, Em Busca do Tempo Perdido, Os Prazeres e os Dias, Um Amor de Swann, entre outros. Ele morreu em 18 de novembro de 1922 em decorrência de complicações pulmonares.

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    Aguinaldo Medici Severino20/05/2015Resenhou um livro
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    senhor proust

    Encontrei este livro por acaso e que surpresa agradável, que festa para os sentidos e para a memória. "Senhor Proust" foi publicado em 1973 mas só traduzido para o português há poucos anos. Georges Belmont conseguiu o que muitos tentaram antes dele, entrevistar a mulher que acompanhou mais diretamente Marcel Proust em seus últimos oito anos de vida. Belmont entrevistou-a cinquenta anos após a morte de Proust, entrevistou uma senhora de oitenta e dois anos, ainda zelosa da memória de seu antigo patrão (e, claro, de sua própria reputação, como a jovem que velava tão atentamente toda a rotina de Proust). O resultado é surpreendente. O Proust que encontramos no livro é um sujeito tão cativante quanto seus personagens. Apesar das muitas camadas de tempo que filtram as memórias de Céleste sua versão parece verossímil (ao menos o suficiente para satisfazer o que um leitor dos livros Proust pode entender da relação dele com sua obra). A definição da personalidade de Proust que mais gostei no livro é aquela em que Céleste afirma ser ele um adivinhador de almas. Qualquer leitor que teve a fortuna de conhecer seus livros há de lembrar quão precisas e vívidas são as descrições dos personagens inventados por ele. As paixões humanas, as múltiplas e contraditórias facetas do comportamento humano, são admiravelmente dissecadas e expostas por Proust. Após ler seus livros parece mais fácil reconhecer nos vizinhos, nos colegas, nos amores, e sobretudo em nós mesmos, as virtudes e as hipocrisias próprias dos homens. Belmont dá voz a Céleste em trinta capítulos temáticos, mas há uma feliz uniformidade na narrativa, parece mesmo que estamos a ouvir um relato contínuo dela. Os capítulos dedicados aos hábitos (de alimentação, de toalete, de vida em sociedade) são os mais divertidos; aqueles dedicados as conversas entre eles sobre as relações entre os personagens de "Em busca do tempo perdido" e as pessoas que os inspiraram são os menos confiáveis; os capítulos onde se descreve a decadência física e a morte de Proust um tanto piegas demais para o meu gosto; aqueles onde ela dá voz ao Proust que se divertia em desnudar defeitos e falhas de caráter de seus editores, rivais literários ou mesmo amigos mais próximos, muito bons, examplares. Nada supera a experiência de ler os livros de Proust, mas livros como este dão ao leitor ferramentas de análise, instrumentos de associação, que justificam nosso desvio dos adoráveis caminhos da ficção. [início 29/06/2012 - fim 13/07/2012] "Senhor Proust: Céleste Albaret, lembranças recolhidas por Georges Belmont", Georges Belmont, tradução de Cordelia Magalhães, Osasco: editora Novo Mundo, 1a. edição (2008), brochura 16x23 cm, 446 págs. ISBN: 978-85-7679-152-2 [edição original: Monsieur Proust: Céleste Albaret, Souvenirs recueillis par Georges Belmont (Paris: Robert Laffont) 1973]

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