Quatro histórias de pilotos em seus últimos voos na Segunda Guerra Mundial. Um kamikaze japonês antes de se lançar contra um porta-aviões, um piloto americano sobre a França ocupada, o melhor piloto da Luftwaffe nas horas mais difíceis da aviação alemã e um piloto voluntário da aviação russa na frente de batalha. É uma ilustração dos combates aéreos que aconteceram durante o maior conflito da humanidade. O autor, o francês Romain Hugault, conhece bem os meandros da aviação, sendo filho de um coronel da aviação e com brevet desde os seus 17 anos.
O último vôo - Romain Hugault
Romain Hugault
Uma HQ interessante, com quatro histórias de pilotos na segunda guerra mundial. Quem detesta spoiler não leia o texto a seguir. A primeira mostra o japonês Teruo em voo kamikaze contra um porta-aviões americano no Pacífico. É introspectiva, com o japonês mergulhado em divagações sobre o futuro da pátria que reverencia e repulsa pelos inimigos, que para ele riem de cidadãos inocentes. Teruo tem seu sacrifício como uma esperança para os rumos de sua nação, por isso o sugestivo título de Flor de Cerejeira. Fiquei pensando no poder da ideologia, onde as pessoas se matam por interesses que nem sempre lhes são explícitos. Tem uma frase de Paul Valéry que sempre me vem na mente sobre os reais interesses da guerra: Um massacre entre gente que não se conhece, para proveito de pessoas que se conhecem, mas não se massacram. A segunda história mostra o voo do americano Tom em uma missão na França ocupada pelos nazistas. Não é trágica e exalta o olhar inocente de uma criança diante da vida. O alemão Gunther é o piloto mostrado na terceira história e, de certa maneira, faz um paralelo à primeira. O alemão também faz divagações sobre seu país, sobre o sentido de tudo e de derrota iminente. A HQ mostra uma batalha aérea instigante e a Cruz de Ferro nazista é concedida no final em uma funesta homenagem. Valeu a pena? O sentido da guerra é sutilmente criticado. A história final mostra o russo Alain com uma nova oportunidade de vida a custo do sacrifício de um amigo. O que há de mais importante no jogo da guerra? Um questionamento que a HQ parece sugerir e o que deve ter despontado na mentalidade do piloto. A HQ fecha em um epílogo, onde voltamos à segunda história, do piloto americano salvo na França. Há uma carta de agradecimento à menina que o salvou e a história continua com Tom em uma missão rumo ao Japão, em um porta-aviões visado por um kamikaze japonês... Com quem afinal está a honra na morte nas guerras?
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