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    O Inverno e Depois -

    Luiz Antônio de Assis Brasil

    L&PM
    2016
    352 páginas
    11h 44m
    ISBN-13: 9788525434388
    Português Brasileiro
    4.1
    14 avaliações
    Leram22Lendo0Querem36Relendo0Abandonos0Resenhas1
    Favoritos2Desejados36Avaliaram14

    Nascido numa estância no interior gaúcho, próximo à fronteira com o Uruguai, Julius foi levado às pressas pelos pais a São Paulo, ainda criança, em circunstâncias não de todo esclarecidas. Um tempo depois, vê-se órfão e é criado por tia Erna, professora de música. Quando jovem, graças à herança dos pais, vai estudar violoncelo na Alemanha. O homem que de lá retorna é um ser culto, mas meticuloso e frio, e que padece de uma condição especial: é um observador da própria vida, sempre distante, sempre elaborando frases e diálogos mentais para si mesmo, incapaz de agir de forma espontânea. A fim de estudar uma composição clássica que o obceca há trinta anos, Julius retorna em pleno inverno à estância Júpiter, lugar onde nasceu, numa espécie de retiro autoimposto. A decisão não apenas representa um retorno às origens, como o obriga a visitar o próprio passado e as próprias escolhas, no que se revelará, afinal, uma verdadeira arqueologia dos afetos. Tal jornada, narrada com maestria por Luiz Antonio de Assis Brasil, transita por diversos pontos do tempo e do espaço – a estância da infância, a vida em São Paulo, os estudos na Alemanha, e o presente, incerto – e é ladeada por figuras femininas cuja presença ou ausência moldaram a vida de Julius: Sílvia, a esposa; Agripina Antônia, a meia-irmã bastarda; e Constanza Zabala, seu amor de juventude. Como a música, que se desenrola no tempo, este belíssimo romance faz como que um arco temporal, no qual os valores da existência humana são questionados e reencontrados e no qual, tal como ocorre com a arte, nunca é tarde demais para recomeçar.

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    Lidiany Mendes picture
    Lidiany Mendes30/07/2021Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    O passado sempre volta...

    O livro “O inverno e depois”, foi escrito entre maio de 2012 e maio de 2016 no Rio Grande do Sul por Luiz Antonio de Assis Brasil e publicado em 2016. É mais uma obra da literatura nacional que merece ser lida e divulgada. Neste livro acompanhamos a vida de Julius Caesar da Câmara Pereira e Canto desde seu nascimento na estância Júpiter, na fronteira do Brasil com o Uruguai, até sua maturidade quando retorna para essa estância e repensa sua vida e seus afetos. O autor faz um uso magistral da língua portuguesa. Sinceramente, é um dos livros mais bem escritos que já li na minha vida. Não fui capaz de encontrar nenhum erro, nem de digitação. A revisão do texto foi igualmente primorosa (o que, infelizmente, é raro hoje em dia). Julius é um musicista e seu instrumento é o violoncelo, embora também toque piano. O livro é permeado de referências musicais e literárias. Fui ouvindo as músicas mencionadas ao longo da leitura, inclusive procurando ouvi-las a partir dos intérpretes mencionados no texto e fiz uma viagem musical maravilhosa. Vale citar um breve trecho em que autor narra a descoberta do amor de Julius pelo violoncelo: “O violoncelo bradava, chorava, se entregava ao riso, e ele logo quis aprendê-lo, porque, sem saber, esse instrumento preenchia, com seu prodigioso leque expressivo, todos os matizes de sua alma órfã”. Julius é um homem comum, que leva uma vida comum, uma vida morna, sem qualquer paixão. Mas que guarda no peito a dor de não ter vivido tudo aquilo que poderia ter vivido. Tudo aquilo que deixou de viver por insegurança, por medo, por ciúme, por duvidar de si mesmo e dos outros... O livro mostra o reencontro de Julius com ele mesmo e a partir daí o seu encontro e reencontro com outros afetos. Em meio a tudo isso ele tenta se reencontrar com o concerto para violoncelo e orquestra de Antonín Dvorak, para que possa tocá-lo como solista em uma apresentação na Orquestra Sinfônica Municipal de São Paulo (aliás, vale a pena ouvir esse concerto). O livro é narrado e relacionado com a obra “Tous le matins du monde” (Todas as manhãs do mundo) de Pascal Quignard, que conta a história do Monsieur de Sainte Colombe, um compositor de viola da gamba (instrumento predecessor do violoncelo) do século XVII, que depois da morte da esposa escreveu músicas de um luto dilacerante, mas de profunda beleza. No caminho para a estância e quando de sua estadia por lá, Julius revive seu passado destacando momentos cruciais de sua existência até ali vividos entre os Pampas gaúchos, São Paulo e a pequena cidade alemã de Würzburg, onde estudou música na juventude.

    5 curtidas

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    4.1 / 14
    • 5 estrelas36%
    • 4 estrelas50%
    • 3 estrelas14%
    • 2 estrelas0%
    • 1 estrelas0%
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    Luiz Antônio de Assis Brasil

    Luiz Antonio de Assis Brasil passou sua infância em Estrela, no interior do estado do Rio Grande do Sul. Em 1957, aos doze anos, ele retornou à capital gaúcha, sua cidade natal. Em Porto Alegre, Assis Brasil estudou no Colégio Anchieta, cujo curso clássico ele terminou em 1963. No ano seguinte, com o golpe militar no Brasil, ocorreu sua entrada para o serviço militar obrigatório. Foi nesta época que começou a estudar violoncelo. Em 1976, Assis Brasil estreia como escritor publicando o romance Um Quarto de Légua em Quadro, lançado na 32.° Feira do Livro de Porto Alegre. Recebeu por seu primeiro livro o prêmio Ilha de Laytano. Foi também em 1976 que Assis Brasil também iniciou sua trajetória como administrador cultural: como chefe da secção de Atividades Artísticas da prefeitura de Porto Alegre; como diretor do Centro Municipal de Cultura de Porto Alegre em 1981; e como diretor do Instituto Estadual do Livro em 1983. Entre 1978 e 1982, Assis Brasil publicou três livros: A Prole do Corvo, Bacia das Almas e Manhã Transfigurada. Em 1984, recebeu uma bolsa de estudos do Instituto Goethe (Goethe-Institut) para estudar em Rothenburg ob der Tauber, na Alemanha. No ano seguinte, lançou seu livro As Virtudes da Casa e passa a ministrar a Oficina de Criação Literária do programa de pós-Graduação da Faculdade de Letras da PUCRS. A oficina já revelou nomes como Letícia Wierzchowski, Cíntia Moscovich, Daniel Pellizzari, Monique Revillion e Daniel Galera, tendo recebido o Prêmio Fato Literário, da RBS e do Banrisul. Em 1986, é publicado o livro Um Homem Amoroso, de caráter autobiográfico. No ano seguinte, Cães da Província retoma o ciclo histórico do autor, que evoca como personagem o dramaturgo José Joaquim de Campos Leão, o Qorpo-Santo, e os crimes hediondos da Rua do Arvoredo. Este romance deu ao autor o título de doutor em Letras e lhe concedeu o Prêmio Literário Nacional.

    36 Livros
    60 Seguidores
    Rio Grande do Sul, Brasil

    Luiz Antônio de Assis Brasil