A guerra do Paraguai - Como o "Rei dos Macacos", o marechal que queria ser Napoleão, um jornalista soldado e um presidente degolador deflagaram o maior conflito da América do Sul

    Luiz Octavio de Lima

    Editora Planeta
    2016
    448 páginas
    14h 56m
    ISBN-13: 9788542207996
    Português Brasileiro

    Maior confronto armado da história da América do Sul, a Guerra do Paraguai é uma página desbotada na memória do povo brasileiro. Passados quase 150 anos das últimas batalhas deste conflito sangrento que envolveu Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai, o tema se apequenou nos livros didáticos e se restringiu às discussões acadêmicas. Neste livro, fruto de pesquisas históricas rigorosas, mas escrito com o ritmo de uma grande reportagem, o leitor poderá se transportar para o palco dos acontecimentos e acompanhar de perto a grande e trágica aventura que deixou marcas profundas no continente sul-americano. Por uma narrativa repleta de lances surpreendentes, desfilam não apenas os governantes e líderes militares dos países diretamente envolvidos no conflito, que em momentos alternados viveram papéis de heróis e vilões, como ganham luzes as ações e os dramas de figuras menos conhecidas, mas igualmente fascinantes: a ardilosa amante do líder paraguaio Solano López; religiosos implacáveis; combatentes submetidos a dores e privações; mulheres e crianças testadas no limite da bravura; e escravos que viram na guerra o caminho para a liberdade. O livro também se ocupa de discutir (e algumas vezes desfazer) os mitos criados ao sabor dos ventos ideológicos que sopraram sobre o continente em diferentes períodos desde então.

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    Rodrigo01/03/2026Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    A guerra que reescreveu o Brasil

    Eta livro bão! Já tiveram a chance de ler um livro de não ficção cujo autor é jornalista, e não um acadêmico? Um pequeno detalhe que faz muita diferença. Esse especificamente é mestre em criar um enredo levemente romanceado a partir de fatos históricos, e eis que um assunto obscuro se tornou fluido pela 1a vez na minha cabeça. A guerra em si demora a acontecer. Do início até a p.130, narra-se desde a formação familiar do ditador paraguaio Solano Lopez até a sua chegada ao poder, passando pela rotina palaciana de D. Pedro II, tretas diplomáticas entre os três países vizinhos (Brasil, Uruguai e Argentina) e alguns passeios nas cortes europeias. O rompante inicial do conflito foi dado por Lopez, que apreendeu um navio de guerra brasileiro em Assunção, em missão de paz. O motivo é complexo: um misto de ranço com o Império brasileiro, egocentrismo, desejo de protagonismo, e, por fim, apoiar os aliados do partido blanco uruguaio, em guerra contra os colorados, esses sustentados pelo Brasil e Argentina. Uma vez declarada a guerra, Lopez invade o Brasil pelo Mato Grosso e a Argentina por Corrientes, deixando um rastro de morte, saques e estupros, numa ação já planejada havia tempos. O Imperador brasileiro, até então incrédulo na utilidade da guerra, não teve outra saída que não se juntar aos outros países vizinhos para combater o inimigo em comum. A reação inicial, voltada à recuperação das cidades invadidas, deu lugar a uma perseguição das tropas paraguaias pelo exército aliado, com milhares de mortes de ambos os lados, mas era impossível para o Paraguai, mesmo com algumas vitórias surpreendentes, repor as baixas no mesmo ritmo que os três países inimigos. No Brasil, muitos escravos foram libertos para virarem soldados. Lopez, por sua vez, vendo que a derrota se aproximava, foi tomado pela loucura, quando passou a enxergar conspirações e rancores por todo lado, e, ao mísero sinal de traição, mandava matar ou torturar até seus parentes mais próximos, incluindo mãe e irmãos, ou mesmo desafetos que nada tinham a ver com a guerra. Próximos do fim, tomados pelo desejo de vingança e sentimento de ódio, os generais aliados iam massacrando quem surgisse no caminho que os separava de Lopez, até que a batalha final em Cerro Corá, com a morte do ditador nas mãos de soldados brasileiros, pôs fim à guerra. Ao final, a guerra deixou um saldo estimado de 500 mil mortos. No Brasil, sobraram dívidas de guerra, novos territórios no Mato Grosso e o surgimento de movimentos republicanos e abolicionistas. Nomes como Caxias, Osório, Tamandaré e Ana Nery viraram heróis nacionais. Em suma, uma senhora aula de Brasil, que merece ser lida por aqueles que amam entender as nossas raízes.

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