O Brasil na Segunda Guerra Mundial - Uma página de relações internacionais

    Teresa Isenburg

    22 Editorial
    2015
    175 páginas
    5h 50m
    ISBN-13: 9788566483017
    Português Brasileiro

    Esta é uma homenagem culta e original ao combatente anti - fascista brasileiro na Itália nos anos da II guerra mundial. A estudiosa italiana sabe olhar com a sensibilidade da época, como os pobres vindos desta terra, para lutar e morrer em plagas distantes encontraram - se com os outros pobres das montanhas geladas dos Apeninos. E como todos sofreram pelas invejas existentes nas altas patentes. São páginas de uma grande dor e dignidade. Mas isto não impede que o texto se coloque com uma análise do caráter internacional do conflito e do estado brasileiro neste quadro. Imperdível episódio da história.

    Edições (1)

    Ver mais
    • book cover
    Resenhas (1)Ver mais
    Amapá e Amazônia picture
    Amapá e Amazônia29/12/2020Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    'O Brasil na Segunda Guerra', o novo livro de Teresa Isenburg, ajuda a entender as manobras de Getúlio e seu ministro das Relações Exteriores Osvaldo Aranha em meio a esse ninho de cobras, para isolar os grupos pró-Eixo quando o conflito militar global eclodiu em setembro do ano seguinte. Dutra e Góis Monteiro formavam com Filinto Muller, chefe da Polícia do Distrito Federal, a tríade policial-militar chegada aos governos nazifascistas, que se empenhava em manter uma neutralidade (que “na prática significava uma ajuda aos países do Eixo”, observa Teresa). Ou, como dizia Dutra, manter a casa trancada e o interior dela em ordem. Getúlio passa a planejar, cada coisa ao seu tempo, o que interessa ao esforço de guerra aliado na medida em que desarticula o que a autora define como “sonho de uma integração ideológica e racista” com Hitler e Mussolini: o envio de tropas brasileiras para lutar ao lado dos americanos na campanha da Itália, a instalação de base americana em Natal, trampolim para alcançar a África, e a mobilização de um exército de retirantes nordestinos para deslocar-se rumo à Amazônia e extrair o látex para suprir as necessidades das tropas aliadas na Europa. “Borracha para a Vitória”. Teresa, implacável e arguta, analisa com lupa todos esses acontecimentos, que nos deixaram sequelas terríveis. Mas, como italiana de coração brasileiro, se desdobra em resgatar a campanha dos 25 mil soldados da FEB na Itália. Volta a Montese, um dos teatros da guerra. Recupera cartas, ouve depoimentos carinhosos sobre a nossa presença, confirma que até hoje somos tidos como boas praças por lá. O mesmo não se pode dizer da alta oficialidade, entregue a um torneio de vaidades, lustrando sua biografia, incapaz de assumir seus erros. O olhar de Teresa contempla a fase de preparação dos combatentes, com desfiles e apresentações em que negros eram barrados, o que aconteceria também no continente europeu primeiro diante do rei Humberto, da Itália, depois do próprio Winston Churchill; a saída deles do porto do Rio, em sucessivas levas, para o porto de Nápoles, “entre o úmido outono de 1944 e o gelado inverno de 1945”, com temperaturas que chegavam a 20 graus abaixo de zero. Sempre sob a vigilância do anticomunismo histérico de Dutra. Ele sustentava que todos eles, vulneráveis, voltariam com ideias “exóticas” por causa do contato direto com os partisans, que de fato foi o melhor possível. O que levou o eterno Ministro da Guerra e futuro presidente a tratá-los como inimigos internos logo que voltaram ao Brasil, desmobilizando-os num passe de mágica, devolvendo-os aos seus Estados, sem chance de exibir, como seus colegas americanos, seu uniforme de herói. Aquele que tantas vezes foi confundido com o dos alemães nos campos de batalha. Quando Getúlio renunciou, em 29 de outubro de 1945, Dutra e Góis Monteiro já estavam afinados e alinhados, unidos e coesos com os Estados Unidos e seu embaixador Adolfo Berle, que conspirou abertamente para o golpe. Quando o coronel Vernon Walters plantou-se no Brasil em 1963, para organizar o golpe do ano seguinte, encontrou 13 generais brasileiros que conviveram com ele na Itália. Entre eles Humberto de Alencar Castelo Branco. Todos bateram continência para o coronel. Já estávamos sob nova gerência. Texto extraído do livro

    2 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    4.5 / 3
    • 5 estrelas67%
    • 4 estrelas33%
    • 3 estrelas0%
    • 2 estrelas0%
    • 1 estrelas0%