Um bom cordelista é capaz de tornar qualquer história interessante, mesmo as que pressupõem tema de pouco carisma. Agora junta um cordelista paidégua com uma história arretada, que já é interessante por si mesma. É o fraco, não! Só pode acabar em uma obra bacana que nem essa.
O autor foi cuidadoso na exposição dos fatos, primando pela fidelidade histórica. Corisco e Dadá tem várias curiosidades em sua biografia, apresentadas com capricho e de forma instigante ao leitor. Uma das descobertas que tive é que o nome real do casal era Cristino e Sérgia, e o cenário em que viviam tinha uma mesclagem de bem e mal. Às vezes a polícia (volante) era mais cruel que os bandoleiros, mas esses não ficavam atrás em perversidades. Na caatinga daquele tempo o que mandava era a lei do mais forte (ou mais cruel). Bandidagem para todo o lado numa espécie de "Nordeste Selvagem". O cordel deixa em evidência isso e o ápice do cordel é a morte do Corisco (porém, de acordo com fontes na net, foi mais brutal do que as rimas contam, pois ele teria sobrevivido cerca de dez horas com as tripas de fora).
Achei muito interessante e fiquei com vontade de conhecer outras obras do autor. Se topar com alguma não vou perder a oportunidade.
A leitura trouxe-me a lembrança do filme "Corisco & Dadá", de 1996, com Chico Diaz e Dira Paes. Quem assistiu, lembra da parte em que o Corisco está ensinando a Dadá a ler? Aquela em que fala e ela presta atenção no ditado, até perceber no que vai dar: C-A CÁ, C-É QUÉ, C-I QUI, e por aí vai até o final. Piada infame, mas tá lá no filme.
Seu minino, é porreta esse cordel!