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    Estado de Exceção -

    Giorgio Agamben

    Boitempo
    2007
    144 páginas
    4h 48m
    ISBN-13: 9788575590577
    Português Brasileiro
    4.1
    126 avaliações
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    O filósofo italiano Giorgio Agamben (1942-) é um dos pensadores mais instigantes da atualidade. Em "Estado de Exceção", terceiro lançamento da coleção Estado de Sítio, coordenada por Paulo Arantes, ele estuda a contraditória figura dos momentos antes "extraordinários" – de emergência, sítio, guerras – onde o Estado usa de dispositivos legais justamente para suprimir os limites da sua atuação, a própria legalidade e os direitos dos cidadãos. Segundo o autor, "o estado de exceção apresenta-se como a forma legal daquilo que não pode ter forma legal". Um poder além de regulamentações e controle, que, para Agamben, hoje não é mais excepcional, mas o padrão de atuação dos Estados. "Estado de Exceção" é uma reconstrução histórica e uma análise da lógica e da teoria por trás da sua evolução e conseqüências, de Hitler aos prisioneiros de Guantánamo. Para isso o autor destrincha o pensamento de Carl Schmitt (autor alemão, contemporâneo de Walter Benjamin, com quem polemizou) e seus estudos sobre ditaduras; filósofos e teóricos do direito; e as mudanças nas constituições européias e norte-americanas que levaram a instituição do estado de exceção como paradigma. "Combatentes ilegais", Patriot Act, Bush como commander in chief dos Estados Unidos, toque de recolher, zonas de proteção em encontros de organismos internacionais, pacotes econômicos, limites e contradições das democracias modernas, guerras preventivas e o executivo legislando por decretos e medidas provisórias são temas atuais abordados e que se relacionam diretamente com a análise de Agamben. Obra fundamental para entender o Estado e a política contemporânea, Estado de Exceção expõe as áreas mais obscuras do direito e da democracia. Justamente as que legitimam a violência, a arbitrariedade e a suspensão dos direitos, em nome da segurança, a serviço da concentração de poder.

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    Antonio Luiz Monteiro Coelho da Costa picture
    Antonio Luiz Monteiro Coelho da Costa15/03/2010Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Estado de regra

    Não é comum um livro tornar-se um clássico imediatamente depois de lançado, mas é o caso de "Estado de Exceção". Nenhum leitor dessa obra do filósofo italiano Giorgio Agamben duvidará de que essa obra continuará a ser uma referência para gerações futuras. Este livro é parte de uma trilogia iniciada com "Homo Sacer" (UFMG, 2002) e completada com "O que resta de Auschwitz" (Boitempo, 2008). No primeiro livro, Agamben prolonga e aprofunda trilhas abertas por Walter Benjamin ao estudar as relações entre poder e violência e por Michel Foucault em busca da genealogia do poder soberano sobre a vida “nua”, despida de cidadania e direitos e reduzida a seu fundamento biológico. Desta vez, aborda, do ponto de vista da filosofia do direito, o estado de sítio, de emergência ou de exceção (“lei marcial” ou “poderes de emergência” para os anglo-saxônicos), que cada vez mais se torna o paradigma do Estado e da política “normal”. O III Reich foi um estado de exceção, proclamado por Hitler de acordo com a lei alemã assim que o poder lhe foi entregue, que durou 12 anos. Assim como o fascismo italiano, não foi legalmente uma ditadura, mas um “Estado dual”, uma estrutura de poder informal ao lado de uma ordem legal suspensa pela exceção. Agamben define o totalitarismo como a instauração, por meio de um estado de exceção, de uma guerra civil legal que permita a eliminação de categorias de cidadãos que, por qualquer razão, pareçam não integráveis ao sistema. Entretanto, o estado de exceção não foi inventado pelo absolutismo, mas pela Revolução Francesa – e desde a I Guerra Mundial, a criação voluntária de um estado de emergência política ou econômica permanente tornou-se uma das práticas essenciais de todos os Estados, incluisive os chamados democráticos. Não é preciso insistir em casos extremos, como os supostos talibãs confinados em Guantánamo e desnudados do estatuto de prisioneiros de guerra (ou de acusados) e reduzidos à figura aberrante de “combatentes ilegais”. Bastam os decretos e medidas ditas provisórias que em toda parte esvaziam as atribuições dos parlamentos. Juridicamente, o estado de exceção é um paradoxo. Alguns juristas o consideraram parte do direito positivo, fundado na necessidade. Mas como legislar a suspensão do próprio ordenamento jurídico? Se o estado de necessidade gera sua própria norma jurídica, por que precisa ser ratificada pela lei? Outros o viram como um fato político totalmente estranho ao direito. Mas como o ordenamento legal poderia ignorar uma questão tão crucial e suas conseqüências jurídicas? Agamben busca seu paradigma na instituição romana do justitium – literalmente, suspensão do direito, por meio de um senatus consultum ultimum com o qual o Senado pedia aos cônsules ou mesmo a cada cidadão que tomassem qualquer medida considerada necessária para a salvação do Estado. Não se tratava de ditadura, mas de uma zona de anomia na qual, sem que a lei fosse abolida, as determinações jurídicas, a começar pela distinção entre público e privado, eram desativadas, os atos caíam fora do âmbito do direito e não podiam ser classificados como legislativos, executivos ou transgressivos. Esse estado de exceção, espaço sem direito no coração do direito, é essencial à articulação fictícia entre violência e direito, vida e norma. A auctoritas, metajurídica, depende da capacidade de validar ou suspender a potestas, normativa e jurídica em sentido estrito. Quando ambas coincidem, a exceção se torna a regra e o sistema jurídico-político torna-se uma máquina letal. Agamben insiste no caráter fictício dessa articulação para abrir nesse espaço vazio um espaço para a ação política, hoje em duradouro eclipse. Política, bem entendido, não como mero poder de negociar com o direito, mas como ação que corta o nexo entre violência e direito e tenta interromper o funcionamento dessa máquina que leva o Ocidente para a guerra civil mundial.

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    Giorgio Agamben

    Agamben foi educado na Universidade de Roma, onde em 1965 escreveu uma tese laurea inédita sobre o pensamento político de Simone Weil. Agamben participou dos seminários Le Thor de Martin Heidegger (sobre Heráclito e Hegel) em 1966 e 1968. Na década de 1970, trabalhou principalmente com linguística, filologia, poética e tópicos da cultura medieval. Nesse período, Agamben começou a elaborar suas preocupações primárias, embora seus rumos políticos ainda não estivessem explícitos. Em 1974-1975 foi fellow do Warburg Institute, University of London, por cortesia de Frances Yates, a quem conheceu por intermédio de Italo Calvino. Durante esta bolsa, Agamben começou a desenvolver seu segundo livro, Stanzas (1977). Agamben esteve próximo dos poetas Giorgio Caproni e José Bergamín, e da romancista italiana Elsa Morante, a quem dedicou os ensaios "A Celebração do Tesouro Escondido" (em O Fim do Poema) e "A Paródia" (em Profanações). . Foi amigo e colaborador de eminentes intelectuais como Pier Paolo Pasolini (em cujo O Evangelho Segundo São Mateus fez o papel de Filipe), Italo Calvino (com quem colaborou, por um curto período, como assessor do editora Einaudi e desenvolveu planos para uma revista), Ingeborg Bachmann, Pierre Klossowski, Guy Debord, Jean-Luc Nancy, Jacques Derrida, Antonio Negri, Jean-François Lyotard e muitos, muitos outros. O pensamento político de Agamben foi fundado em suas leituras da Política de Aristóteles, da Ética a Nicômaco e do tratado Sobre a Alma, bem como nas tradições exegéticas sobre esses textos na Antiguidade Tardia e na Idade Média. Em sua obra posterior, Agamben intervém nos debates teóricos que se seguiram à publicação do ensaio de Nancy La communauté désoeuvrée (1983) e da resposta de Maurice Blanchot, La communauté inavouable (1983). Esses textos analisavam a noção de comunidade em um momento em que a Comunidade Européia estava em debate. Agamben propôs seu próprio modelo de comunidade que não pressupunha categorias de identidade em The Coming Community (1990). Nessa época, Agamben também analisava a condição ontológica e a atitude “política” de Bartleby (do conto de Herman Melville) – um escrivão que “prefere não” escrever. Atualmente, Agamben leciona na Accademia di Architettura di Mendrisio (Università della Svizzera Italiana) e lecionou na Università IUAV di Venezia, no Collège International de Philosophie em Paris e na European Graduate School em Saas-Fee, Suíça; anteriormente lecionou na Universidade de Macerata e na Universidade de Verona, ambas na Itália. Ele também ocupou cargos de visita em várias universidades americanas, desde a University of California, Berkeley, até a Northwestern University, e na Heinrich Heine University, Düsseldorf. Agamben recebeu o Prix Européen de l'Essai Charles Veillon em 2006. Em 2013, ele recebeu o Prêmio Dr. Leopold Lucas da Universidade de Tübingen por seu trabalho intitulado Leviathans Rätsel (Leviathan's Riddle, traduzido para o inglês por Paul Silas Peterson)

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    Kingdom of Italy, Itália

    Giorgio Agamben