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    Omeros -

    Derek Walcott

    Companhia das Letras
    1994
    302 páginas
    10h 4m
    ISBN-10: 8571644241
    Português Brasileiro
    4.3
    15 avaliações
    Leram28Lendo4Querem115Relendo1Abandonos0Resenhas4
    Favoritos0Desejados115Avaliaram15

    Poeta mulato das Antilhas, prêmio Nobel de literatura de 1992, Derek Walcott (1930-2017) escreveu um poema destinado a permanecer entre os mais belos e instigantes deste século. Em Omeros, se o mar e os negros pescadores de Santa Lucia fornecem a matéria-prima, um vasto arsenal de imagens, ritmos e texturas tropicais, são os arquétipos da Ilíada e da Odisseia, as personagens míticas de Aquiles, Helena, Heitor e Filoctete (além do próprio Homero, encarnado num pescador cego, de nome Sete Mares), que definem as linhas mestras do poema. Misto de poesia, mito, romance e roteiro de cinema, Omeros é também uma meditação sobre questões cruciais do mundo contemporâneo, como a destruição da natureza, a identidade das minorias e o desenraizamento individual e coletivo. Das raízes mediterrâneas aos grandes autores da língua inglesa, passando pelo patois crioulo das Antilhas e os sons africanos que pulsam até hoje nas margens do Caribe, este é um canto universal, que funde de modo magnífico o encontro de raças, línguas e culturas que se deu nas praias americanas. O poeta, dramaturgo e ensaísta Derek Walcott nasceu em 1930, em Castries, na ilha de Santa Lucia. Formou-se na Universidade das Índias Ocidentais, na Jamaica, e em 1957 obteve uma bolsa para estudar teatro nos Estados Unidos. Em 1992, tornou-se o primeiro escritor caribenho a receber o prêmio Nobel de literatura. Viveu em Londres e em Trinidad, e durante muitos anos dividiu seu tempo entre a ilha de Santa Lucia e os Estados Unidos, onde lecionou na Universidade de Boston até se aposentar, em 2007. Faleceu em março de 2017

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    Italo Aleixo03/04/2020Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Aonde se encontra a identidade de um país que já foi Francês, britânico e cujo povo foi africano? É esse dilema e essa identidade que Derek Walcott tenta encontrar em sua epopéia, um poema que figura como um clássico latino-americano único! ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ Utilizando-se de arquétipos gregos, Walcott se baseia em Homero para fundar seu poema. O lendário poeta grego, pobre, sem origem, condenado a vagar pelo Mediterrâneo sem destino e a contar suas histórias é o modelo ideal para todos os personagens que habitam a obra: pescadores que aparecem como Aquiles e Heitor, uma Helena causadora de discórdia, um Philoctetes amaldiçoado e um sem número de Ulisses vagando sempre em busca do lar. ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ A trama foca no dia a dia de pescadores na ilha de St Lúcia (considerada a Helena das Antilhas, graças às diversas disputas entre franceses e britânicos por ela), de outros nativos sempre a mercê dos turistas, em cidadãos britânicos naturalizados, e em toda uma paisagem que deve tudo que é a autoridade perpétua do mar. ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ Aparentemente simples, o real objetivo de Omeros é mostrar a ausência de raízes que esses personagens tem, justamente por não ter uma pátria. O velho militar britânico que sente falta de seu império, os negros que vivem em prol da pesca e do turismo e sentem falta de uma África ancestral, e do próprio Derek que não se sente em casa nem entre brancos e negros. E a grande epopeia é a busca de cada um desses personagens por suas raízes, por algo que os identifique, pela busca de um lar. ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ Com sua liberdade poética a obra mescla entre o real e mágico, em viagens pelo inferno ( uma vez que a ilha tem suas próprias fontes sulfurosas), pelo reino ancestral dos negros, pelas guerras da Grécia, assim como pela dor de outros imigrantes do mundo. ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ Nesse mundo de peregrinos e abandonados, o único a possuir raízes é o Mar, que é sua própria pátria, inexorável telespectador da tragédia de Gregos e Caribenhos!

    5 curtidas

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    4.3 / 15
    • 5 estrelas47%
    • 4 estrelas33%
    • 3 estrelas13%
    • 2 estrelas7%
    • 1 estrelas0%
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    Derek Walcott

    Dereck Walcott faleceu hoje aos 87 anos. Poeta, dramaturgo e ensaísta, nasceu em 1930 na ilha de Santa Lucia, e em 1992 tornou-se o primeiro escritor caribenho a receber o prêmio Nobel de literatura. Walcott é autor de Omeros, um poema destinado a permanecer entre os mais belos e instigantes deste século. Neste livro, se o mar e os negros pescadores de Santa Lucia fornecem a matéria-prima, um vasto arsenal de imagens, ritmos e texturas tropicais, são os arquétipos da Ilíada e da Odisseia, as personagens míticas de Aquiles, Helena, Heitor e Filoctete (além do próprio Homero, encarnado num pescador cego, de nome Sete Mares), que definem as linhas mestras do poema. Misto de poesia, mito, romance e roteiro de cinema, Omeros é também uma meditação sobre questões cruciais do mundo contemporâneo, como a destruição da natureza, a identidade das minorias e o desenraizamento individual e coletivo. Leia a seguir um trecho de Omeros. I “Foi assim que, num amanhecer, nós talhamos aquelas canoas.” Philoctete sorri para os turistas, que com suas máquinas fotográficas tentam tirar sua alma. “Logo que o vento traz a notícia para os laurier-cannelles, suas folhas se põem a tremer no instante em que o machado da luz do sol fere os cedros, porque podiam ver os machados em seus próprios olhos. O vento levanta as samambaias. Soam como o mar que alimenta [a nós pescadores durante a vida inteira; e as samambaias se curvaram: [Sim, as árvores têm que morrer! Assim, punhos premidos nos paletós — porque estava frio nas alturas — e a respiração fazendo plumas como a névoa, passamos o rum. Quando voltou, a bebida deu ânimo para a gente se tornar assassinos. Eu ergo o machado e rezo por força nas mãos, para ferir o primeiro cedro. O orvalho me enchia os olhos, mas atiro mais um rum branco. Então avançamos.” Por algum dinheiro extra, sob uma amendoeira marinha, ele lhes mostra uma cicatriz feita por uma âncora enferrujada, enrolando uma perna das calças com o lamento ascendente de uma concha. Ela ficou enrugada como a corola de um ouriço-cacheiro. Não explica a sua cura. “Tem coisas”, sorri, “que valem mais do que um dólar.”

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