As narrativas do escritor japonês Haruki Murakami são recheadas de uma linguagem simples, com atmosfera de mistério, realismo fantástico e simbolismo melancólico diante de uma realidade de solidão e dilemas. Em Ouça a Canção do Vento & Pinball, 1973 Murakami, a primeira narrativa escrita por ele, não foge dessas características. O livro é separado em duas partes, sendo o primeiro (Ouça a Canção do Vento) um conto mais curto, e o segundo (Pinball, 1973) uma espécie de continuação do primeiro. Escritas em 1978 e 1979 respectivamente, essas duas histórias foram reunidas em um livro e publicadas em 1980, dando início a careira literária de Murakami.
Ouça a Canção do Vento é típico romance de curta duração, que se assemelha a uma novela. A história em si aborda a vida de um narrador sem nome ao longo de poucos dias de suas férias de verão da faculdade no começo dos anos 1970. Narrado em primeira pessoa com capítulos curtos, esse narrador passa grande parte do seu tempo com seu melhor amigo, o Rato, e com J., barman e dono do Js Bar, onde os três passam as noites bebendo e conversando. Pinball, 1973 apresenta uma versão mais longa e surrealista que tanto vai marcar as narrativas do Murakami. Um ponto em comum entre as duas histórias (além dos personagens) é o romance sobre a solidão dos três personagens, especialmente nos relacionamentos com mulheres.
Murakami escreveu esse romance na mesa da cozinha, à mão, ainda quando estava trabalhando no seu bar. Após surpreendentemente ganhar um concurso de um suplemento revista literária, decide vender seu negócio e passar a viver exclusivamente de sua escrita. O livro é considerado o primeiro da Trilogia do Rato (que incluem outros dois livros: Caçando Carneiros e Dance, Dance, Dance) e aborda a vida do narrador sem nome, sempre narrado em primeira pessoa, e sempre com a aparição do personagem "Rato". O livro exala melancolia e simbolismo, com doses generosas de realismo fantástico e surrealismo. Murakami nesse livro nos traz uma história fragmentada, bem crua, mas sem deixar de extrair as angústias e dilemas da solidão humana dando o seu toque de sensibilidade para o exercício das pequenas coisas.