Sully, o herói do rio Hudson, me chamou atenção assim que seu lançamento foi divulgado, uma vez que nessa mesma época eu havia acabado de sair de uma leitura seguida de três livros do autor Ivan Sant'anna, que fala sobre acidentes aéreos com muita propriedade, e ainda me sentia perplexa, abalada e um pouco encantada com a escrita de Ivan, então, por esse livro trazer a mesma temática, eu logo desejei lê-lo. Algum tempo depois, consegui obtê-lo e então, comecei a leitura, com expectativas altíssimas, e acho que de certa forma isso foi prejudicial. Na verdade, eu gostei muito do livro, o feito de Sully foi incrível e extraordinário, e sua história de vida é sensível e interessante, porém, quando fui evoluindo na leitura, aos poucos me senti frustrada por ver que o autor relatava a sua vida, e não chegava logo no incidente do qual a sinopse falava, e ele era mencionado apenas de passagem naqueles primeiros capítulos. Mais ou menos na metade do livro, finalmente o autor chegou nas narrações do dia quinze de janeiro, e então pude finalmente conhecer a história, mas não saiu de mim a sensação de que o autor demorou muito a chegar lá, embora a parte biográfica que ele nos conta, desde sua infância, é deveras interessante, mas não era o que eu esperava naquele instante.
Para mim, o ponto mais positivo foi a narrativa, que apesar de ser biográfica, em nenhum momento se tornou maçante, pois a escrita é leve e fluida, e nos sentimos sentados ao lado do autor em seu relato de como ocorreu tudo, e conseguimos imaginar de forma perfeita cada cena. Também, apesar de eu ter achado extensa essa parte biográfica, por outro lado gostei muito das observações que Sully fez sobre a carreira de piloto, suas dificuldades, histórias de passageiros, aeromoças, e também achei muito bacana seu relato do tempo que passou na força aérea, pois geralmente vemos nos livros de ficção ou reais esses homens e meninos em combate, mas raramente conhecemos como é o treinamento deles. Além disso, gostei de ver o modo como Sully lidou com o pós-incidente, não deixando que toda a imprensa em cima de si fizesse com que ele se deixasse levar para a fama excessiva.
Porém, como já mencionei, achei um pouco frustrante toda essa parte introdutória relatando a vida de Sully para só depois ter chego no dia quinze de janeiro, e penso que o autor poderia ter iniciado com o incidente, prendendo o leitor, e depois ter regressado ao passado, para entendermos tudo o que o conduziu até ali. Esse livro também teve um filme homônimo, lançado quase junto com o livro, e como eu não gosto muito de filmes, não o assisti, mas segundo comentários, parece-me que o filme aborda uma linha falando sobre as investigações que foram feitas depois do incidente, o que no livro é pouco abordado e senti falta de saber mais a fundo sobre isso e sobre como as autoridades lidaram com tudo.
Sully, o herói, é um homem simples, com valores importantes vindos de berço que certamente contribuíram para sua calma e sua segurança enquanto pousava um avião com 155 pessoas abordo, nas águas geladas de um rio. Gostei muito do modo como ele se colocou no enredo, não se fazendo nem de vítima e nem de herói, e sim mostrando como cumpriu adequadamente seu papel de levar os passageiros ao solo em segurança, inclusive, se certificando de que todos haviam sido resgatados do rio com vida, para então, pensar em sua saúde e seu bem estar. Também, Sully não se coloca como o único responsável pelo feito no livro, e dá os devidos créditos a Jeff, seu copiloto, as comissárias do voo, e nos insere na vida de sua família e daqueles que estão ao seu redor.
O livro, narrado em primeira pessoa, possui dezenove capítulos, mais apêndices A e B, trazendo o trajeto do voo 1549 e transcrições das conversas na cabine. Minha leitura foi realizada em e-book e não encontrei erros.
Recomendo esse livro para leitores que gostam de biografias instigantes, ou ainda para aqueles que gostariam de se arriscar no gênero uma vez que a ótima escrita e a história emocionante tem o potencial de cativar a todos.