Educação, psicologização, psicanálise
O autor discute a impossibilidade da educação. Não aquela dos quais pais e professores frustrados dizem da boca para fora, mas a impossibilidade no próprio cerne do ato educativo, cujos resultados nunca serão totalmente satisfatórios e não podem ser previstos. Porém, diante disso, os pais e professores se veem frente a duas possibilidades: redobrar o esforço educativo ou abandonar de vez a tarefa. A exagerada (psico)pedagogização da educação representa uma face desse abandono, pela qual os pais e docentes retiram-se da responsabilidade de posicionar-se, pois tem medo de cometer erros perante as crianças; ou centram o ensino nas necessidades da criança, pois querem vê-la feliz e criativa, e temem causar algum trauma. Isso tudo tem a ver com a vontade de submeter a educação a um total controle. Ademais, outro problema é a demasiada ênfase em educar para o futuro, numa tentativa de prever as demandas que a criança vai precisar encarar, de modo que ela não consegue reconhecer-se num mundo simbólico fundado na tradição, enquanto parte das gerações anteriores, e, desse modo, não há espaço para fundar seus desejos. Não sou da área da psicologia, mas da educação. Por isso, tive dificuldades em compreender alguns capítulos (por causa dos termos e conceitos), mas, mesmo assim, o livro contribuiu bastante para o meu conhecimento. Muito bom!

