Toma-te mais um cordel porreta do Ceará! O autor é Klévisson Viana, um cabra danado de talentoso em diferentes artes, como a xilogravura e cartum, que traz ao leitor uma história bacana, sensível, dramática, com mensagem ecológica e religiosa, sobre João Mendonça, uma personagem representativa da laia de caçadores desalmados exterminadores dos bixim da floresta. Oxente!
Mais ou menos assim... É como um pequeno romance que vai da infância ao destino final do cabra. O autor inicia com uma beleza singela e pitoresca, ressaltando a beleza da criação de Deus. Aí passa a contar a história do João, que desde bruguelo era ruim e metido a artimanhas que só podem ter sido ensinadas pelo cramulhão. Cruz, credo! Como se não bastasse perseguir os bixim, depois a coisa se desenrola de um jeito que acaba em morte do irmão e da mãe. O fulano ganha então o mundo e vai parar na Amazônia onde, mancomunado com outro cabra da peste, passa a fazer tráfico de animais. Tá tudo explicadinho no cordel... Então vem o filé da obra, seu diferencial, pois o sujeito vive uma história inusitada, tipo aquela que às vezes uns caçadores relatam a peso de febre ou ficando azuretado das ideias. Numa narrativa empolgante e cativante, os bixim pegam o cabra e o colocam em tribunal mostrando suas maldades. Então tem um momento de epifania e aquele santo chamado de protetor dos animais salva o cabra e a partir daí ele tem vida transformada. Af! Olhando assim parece meio bocó o texto, mas a leitura é paidégua, podendo ser feita de uma trancada só.
Só não gostei da empolgação do autor no relato de alguns animais. Qual é seu dotô? Onde tem orangotango na Amazônia, hein? O fato é que o cordel tem uma narrativa empolgante e provocativa de reflexão, acompanhando os tempos de preocupação com o meio ambiente. Isso é legal e o que gostei!
Oxente bixim! É ou não é nos trinks de joia? Fica a dica para os amantes do cordel. Não reparem nos clichês da linguagem, é que gosto dessa cultura popular.