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    Jardins de Kensington -

    Rodrigo Fresán

    Conrad
    2007
    520 páginas
    17h 20m
    ISBN-10: 8576162288
    Português Brasileiro
    4.2
    55 avaliações
    Leram83Lendo5Querem205Relendo0Abandonos3Resenhas7
    Favoritos19Desejados205Avaliaram55

    Jardins de Kensington é uma combinação entre a misteriosa Inglaterra Vitoriana e a psicodélica Londres dos anos 1960 - dois cenários equivalentes, como um mundo num espelho, onde Rodrigo Fresán, principal revelação na literatura pop latino-americana conta a história do escritor infantil Peter Hook, um filho de hippies obcecado pela biografia do criador de Peter Pan, J. M. Barrie. O livro se passa em uma única noite, onde Peter Hook, pseudônimo do autor dos livros da série Jim Yang, conta a história de sua própria vida, ao desafortunado Keiko Kai, ator escalado para interpretar o personagem no cinema. Filho de Sebastian Darjeeling Compton-Lowe, líder da fictícia banda inglesa de rock The Beaten (banda inspirada nos roqueiros cabeludos do The Kinks, famosos nos anos 60), Hook passou a infância entre todos os personagens da Swigin London - dos Beatles ao cineasta Michelangelo Antonioni, da modelo Twiggy ao bardo Bob Dylan (que Hook lembra ter vomitado em seus bonequinhos de chumbo). Porém essa Londres de sonho acaba muito cedo para o infante Hook - abalado pela morte de seu irmão mais novo num acidente caseiro e de seus pais num naufrágio, refugia-se no mundo de Peter Pan, torna-se o garoto que não quer crescer - e também adquire uma obsessão pelo criador do personagem, J. M. Barrie. Como um Jorge Luis Borges pop, Fresán tece um mundo paralelo, onde fantasia, ficção, cultura pop e fatos históricos se misturam para criar um universo mágico permeado de tragédias, onde a inocência se confunde com crueldade e a infância é um pesadelo sereno de onde nunca se pode acordar.

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    Resenhas (7)Ver mais
    Daniel Boratto picture
    Daniel Boratto15/10/2012Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    I read the news today, oh boy

    Numa das epígrafes que abrem este livro há uma citação do escritor James Matthew Barrie: “Deus fulmine todo aquele que escrever uma biografia sobre mim”. “Jardins de Kensington” conta duas histórias: uma real e outra fictícia. A real é uma espécie de biografia do escritor J.M. Barrie, criador do famoso “Peter Pan”. A outra história, fictícia, é sobre Peter Hook (notem a mistura dos nomes do herói e do vilão da história de Barrie), filho de roqueiros que cresceu nos anos 60. Peter Hook também é um autor de livros infantis que tem como herói Jim Yang, um viajante no tempo numa bicicleta mágica. A história de Barrie (verídica) e de Hook (fictícia) são narradas ao leitor e também a um misterioso ouvinte, Keiko Kai, pelo narrador/personagem Peter Hook. Londres e os Jardins de Kensington são o cenário nas duas épocas diferentes das histórias: o começo do século XX e os anos 60. A narração fictícia de Peter Hook começa com um fato que aconteceu de verdade: o suicídio de Peter Llewelyn Davies no metrô de Londres no dia 05 de abril de 1960, data que coincide com o nascimento do nosso narrador... E assim realidade e ficção vão sendo contados com limites habilmente imprecisos. Acredito que quanto maior a quantidade de informações o leitor tiver destes dois períodos, mais ele vai curtir as inúmeras referências às personalidades famosas que se misturam aos personagens fictícios de Rodrigo Fresán. Acho essencial que quem for se aventurar pelos “Jardins de Kensington” deverá pelo menos ter lido a obra original de Barrie, “Peter Pan”. Ouvir o Stg. Peppers também ajuda a entrar no clima londrino da história, assim como assistir o “Em busca da Terra do Nunca”, filme que retrata de maneira romanceada a relação de Barrie (interpretado pelo sexy Johnny Depp, nada mais distante do escritor) com a trágica família Llewelyn Davies. Foram os filhos do casal Llewelyn Davies que inspiraram Barrie na criação de seu eterno herói que se recusa a crescer... Eu fiquei comovido ao encontrar na internet fotos verídicas de Barrie e de Peter Llewelyn Davies caracterizados como Capitão Gancho e Peter Pan, brincando nos Jardins de Kensington em 1906 (!)... Rodrigo Fresán escreve extraordinariamente bem. Os delírios de Peter Hook sobre o tempo, memória, sobre a morte, sobre a cidade de Londres, sobre a própria literatura são de tirar o fôlego. As páginas vão correndo numa vertigem lisérgica. Trecho: “Algumas frases sublinhadas na minha edição de Peter Pan. Algumas poucas palavras que dizem mais de mim do que tudo o que eu poderia alegar numa hipotética defesa num hipotético tribunal. Essa, acredito, é sempre a função de nossos livros favoritos (...): descobrir neles que alguém já nos escreveu muito melhor do que nós mesmos jamais conseguiríamos. E saber que este livro (...) espera por nós em algum lugar, que precisamos apenas procurá-lo e encontrá-lo.” Eu tenho sorte: encontrei este livro.

    23 curtidas

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    Avaliações

    4.2 / 55
    • 5 estrelas49%
    • 4 estrelas31%
    • 3 estrelas16%
    • 2 estrelas2%
    • 1 estrelas2%
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    Rodrigo Fresán

    Rodrigo Fresán nasceu em Buenos Aires, em 1963, e desde 1999 vive em Barcelona. Já em seu primeiro livro, Historia argentina (1991), que alcançou grande reconhecimento de público e crítica, Fresán causou forte impacto: insubmisso a classificações, seu estilo marcado joga com distintos parâmetros literários e abre espaço para manobras estéticas e temporais. Isso se confirma ao longo de sua produção, como, por exemplo, em Jardins de Kensington, único livro do autor lançado no Brasil antes de O fundo do céu. Fresán é também jornalista e tradutor; levou ao espanhol obras de John Cheever, Denis Johnson e Carson McCullers, entre outros.

    6 Livros
    5 Seguidores

    Rodrigo Fresán