Fellside não é um livro ruim e M. R. Carey não escreve mal. Ele tem uma imaginação surpreende, mas muitas vezes sua narrativa chega a ser prolixa. A história se arrasta de maneira desnecessária e o autor se apega a coisas que me deixaram cansado durante a leitura.
"Uma história de terror moderna, perturbadora e emocionante"... é esta frase que inicia a sinopse deste livro e que foi inclusive martelada pela editora na divulgação do mesmo. Portanto... deixarei bem claro o seguinte: Este livro não é um livro de terror, não é perturbador e passa longe de ser emocionante. Sendo assim, qual o motivo de usar esta frase na divulgação do livro? A única resposta que me vem a mente é que a editora realizou um trabalho de divulgação desonesto que teve um objetivo bem claro; enganar os leitores para que o livro fosse vendido e não ficasse encalhado nas livrarias.
Não vamos ser hipócritas... as editoras são empresas e tudo que elas querem é lucrar. Mas eu não sei vocês, mas eu prezo e muito pela honestidade e editoras que fazem este desserviço para nós leitores caiem e muito no meu conceito. Esta sinopse não condiz com o que o leitor encontra quando resolve embarcar na leitura. Portanto eu peço encarecidamente... sejam sinceros em suas resenhas para que pelo nelas possamos confiar, já que em algumas editoras esta confiança passa a ser algo bem difícil de se criar.
Com a sinopse de Fellside eu espera me deparar com algo no mínimo parecido com o filme "Na companhia do Medo", protagonizado pela Halle Berry (indico bastante este filme). Em um primeiro momento as histórias parecem ser bem parecidas. Ambas as protagonistas acordam e descobrem que estão presas acusadas de terem assassinado alguém. O problema é que não conseguem se lembrar de nada e para piorar tudo, elas começam a ouvir vozes na prisão, aparentemente de um espírito pedindo ajuda. As comparações terminam aí... pois o livro vai para um caminho bem diferente do filme de suspense/terror que eu citei. Pois a história de M. R. Carey tem um lado sobrenatural que ao invés de ser assustador, chega a ser muitas vezes bobo, apesar do livro não ser ruim.
Falando no lado sobrenatural da narrativa, ele me fez lembrar vagamente do livro "Os Condenados"; o que me fez ficar em alguns momentos com uma leve implicância. Pois eu simplesmente detesto o livro de Andrew Pyper. O que salvou um pouco a minha experiência com o livro, foi que além dele me trazer essas comparações, ele também me lembrou e muito a série "Orange is the new black", a qual eu adoro. Por qual motivo eu lembrei da referida série? Simplesmente porque Fellside se passa em um presídio feminino, onde conhecemos algumas detentas, nos deparamos com o passado de algumas delas, acompanhamos as relações entre as mesmas, além de também nos depararmos com corrupção, personagens lésbicas e algumas cenas MUITO parecidas com situações da série.
Provavelmente Carey pode e eu realmente acredito que ele tenha se inspirado em tudo que eu citei; pois tais comparações são inevitáveis.
Os personagens são interessantes, o desenvolvimento deles também não deixa a desejar e o final do livro não deixa nenhuma ponta solta. Os finais são satisfatórios (menos o da protagonistas). O desfecho da personagem principal é muito ruim e chega a ser engraçado.
Esse livro é mais drama com um leve toque de história investigativa do que um livro de terror. Se eu disser que em nenhum momento fiquei preso na narrativa, estarei mentindo. Mas da mesma maneira que isso aconteceu, ele também me entediou na mesma proporção e quando eu não estava lendo, não sentia falta e nem vontade de pegá-lo para dar continuidade na leitura.
Esta história teria funcionado melhor se tivesse sido uma série de TV e não um livro. Como série teria ficado bem mais interessante.
É um livro bacaninha, bem escrito (na maioria das vezes), mas que eu nunca irei reler e nem tenho vontade de ler mais nada do autor. Fellside não é terror, mas pra quem deseja encarar este livro, embarque sabendo o que você irá encontrar e não se deixem levar pela desonestidade impregnada na sinopse.