Esse livro é tanto uma distopia quanto um terror psicológico cheio de significado por trás. A primeira vez que li "Sombras de Reis Barbudos", foi quando peguei ele emprestado da biblioteca da escola. E desde então foi um livro que não saiu da minha memória. Porque coisas estranhas acontecem, é fantasioso, mas fala da realidade. Mesmo muito nova eu consegui entender tudo, a escrita desse clássico é perfeita, uma jóia nacional. E agora lendo pela segunda vez, continuo encantada pela obra, principalmente pelos elementos bizarros e misteriosos.
O que também cativa é que todo aquele cenário, nós vemos pelos olhos de um garoto jovem, e isso mexe com a questão da inocência. Eleva a narrativa para um nível de fácil entendimento. A "Companhia" é nada mais do que a imagem de ditadores, e isso vai alterar a mente, a rotina e tudo o que as pessoas conhecem. Um regime autoritário chega de mansinho, pra depois tomar tudo.
Exemplificando sobre a inocência de Lucas. A parte da tia, do protagonista não perceber que foi abusado. (Não é nada explícito) Na visão inocente dele, ele estava apegado esperando mais. Foi chocante, mas é bem uma coisa triste do passado e do agora como pouca gente se importa em proteger a inocência dos meninos, só por serem meninos. Essa foi minha interpretação disso.
O que é ao mesmo tempo perturbador e maravilhoso são as coisas que acontecem na cidade e desafiam a realidade, sem dar spoilers sobre, mas como mencionado, foi o que mais gostei. É cenário de dar medo e fascínio. E com aquele final, foi ainda mais fascinante pra mim.
Muitos elogiam as distopias clássicas estrangeiras e não esquecem delas. Mas isso aqui, é tão bom ou até melhor e nunca vi ninguém falando sobre. Simplesmente leiam!
Início: dia 21 de março
Finalizado: dia 23 de março
Nota: 9/10 (Amei!)