Assuquo, de menino tímido começa a se transformar em jovem influente no vilarejo, sempre orientado por Ugo John, um carismático, porém severo líder religioso, a quem são atribuídas as melhorias de vida na região, especialmente pelo poder com que discerne espíritos maus e os enfrenta. Além das histórias de Asuquo e Ugo John, a narrativa ainda se concentra na angústia do pequeno Bassey, menino estigmatizado que enfrenta os desafios para sobreviver ante o abandono e a solidão. A partir desses três pontos de vista, O Filho de Abasi apresenta com detalhes o fenômeno da bruxificação de crianças na África subsaariana, a luta para sobreviverem sozinhas em meio à indiferença e o despertar de uma nova consciência que faz com que pessoas comuns sejam agentes de transformação de realidades. O romance é mais do que o relato de histórias surpreendentes: ele revela o drama de pessoas que precisam tomar decisões definitivas sobre si mesmas, sobre amor e responsabilidade, passado e presente, desânimo e perseverança, nação e família, lealdade e traição, fé e graça. Não será difícil para o leitor identificar semelhanças com o abandono, solidão e sofrimento de crianças brasileiras, principalmente as de rua, mesmo que estas não sejam rotuladas de bruxas. "O Filho de Abasi e seu autor são, de uma forma que com grande impacto assalta o leitor, um testemunho de coragem e humanidade." - Noemi Kellermann
O Filho de Abasi -
Gito Wendel
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Quando adentrei nos movimento sociais e religiosos e favor dos pobres, das crianças e dos marginalizados, me sentia assim como Drummond, “tenho apenas duas mãos e o sentimento do mundo”, de um ano para cá, quando me tornei pai, quando me deparo com os que sofrem, sinto muita compaixão, sofro junto, e impotente confesso a mim mesmo “tenho apenas duas mãos e o sofrimento do mundo”. Em 2009 através do Laerte e Caio tomei ciência do problema sobre as crianças da África Ocidental, sobretudo na Nigéria, através de um vídeo postado no portal Vem & Vê Tv, em 2011 li o “Missão Salvar Crianças-Bruxas: Diário fotográfico de uma expedição brasileira à África Ocidental” escrito e documentado pelo Marcelo Quintela e passei a me envolve na denúncia e pregação a favor dos projetos desenvolvidos a partir da expedição, o Orfanato na Nigéria e depois o segundo projeto no Senegal. Abrir os olhos dos irmãos católicos, minha comunidade, ao problema dos pequeninos passou ser também minha missão, relatar as histórias que acompanhava pelo site, youtube e pelo testemunho do Gito passou ser parte integrante da minha pregação, enquanto cristão, filósofo e teólogo. A cada expedição que o Gito conduzia até a Nigéria nos esforçávamos para encontrar mais adepto a causa, conseguir doares e também o maior número de intercessores para que tudo caminhasse bem no resgate e no cuidado dos pequeninos, na última expedição nos unimos fortemente em oração pela vida do Gito após ter sido contaminado por uma forte malária que o levou a UTI e ao coma. Com o seu retorno a vida e a nossa terrinha, Uberlândia, nos aproximamos mais, preparei eventos na PUC MG para que ele alertasse os alunos da teologia sobre o problema da bruxificação de crianças na África e com um trabalho de formiguinha temos continuado trilhando o caminho da verdade e do amor, seja no Caminho e agora recentemente no ReliGol. Terminei ontem de ler o romance/relato “O Filho de Abasi” escrito pelo Gito e durante toda a leitura consegui remeter os personagens às pessoas, remeter a estória à história e as denúncias que tive contato desde 2009, a trama nos envolve e nos enche de angústia, lágrimas, amor e esperança a cada página, com o olhar atento conseguimos enxergar cada criança real por trás dos personagens e cada missionário envolvido no Caminho Nações. É possível também enxergar em Ugo John, nós mesmos quando somos fundamentalistas e interesseiros, é possível enxergar em Assuquo, nós mesmos quando somos lúcidos e inconformados com tudo o que fizeram com o cristianismo. É possível enxergar em Ana, Lucy, Sandra, Tony e Big, nós mesmos com nossa vontade de mudar a realidade do mundo a partir do amor aos pequeninos. É possível encontrar em Salomon e Mateo todo aquele que abre nossos olhos ao verdadeiro evangelho de Cristo. Éé possível e necessário encontrar em Sam e Bassey, toda nossa esperança depositada nestes pequenos, para que um dia eles possam contar a seu povo e ao mundo que uma criança acusada e estigmatizada por ser considerada bruxa venceu na vida e reserva parte do seu tempo a salvar outros pequeninos. Obrigado meu querido Gito por nos apresentar através desse livro, de sua vida e missão a necessidade de cuidarmos dos pequeninos como Abasi um dia cuidou de nós, obrigado a todos os missionários do Caminho Nações por abrir os nossos olhos as realidades latentes do mundo através dos projetos existentes e futuros. Recomento a todos os amigos a leitura deste livro e ajude os projetos doando o que puderem, tempo, testemunho ou dinheiro para a missão. Sejamos guardados por Suas bondosas mãos Filho de Abasi.
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