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    A Desordem Mundial - O espectro da total dominação

    Moniz Bandeira

    Civilização Brasileira
    2016
    644 páginas
    21h 28m
    ISBN-13: 9788520012994
    Português Brasileiro
    4.5
    64 avaliações
    Leram99Lendo31Querem401Relendo0Abandonos7Resenhas10
    Favoritos13Desejados401Avaliaram64

    Aqui, os povos também haviam iniciado, em 1999, como os do Oriente Médio, um processo de emancipação e conquistas sociais, a partir dos governos populares de Lula, Chávez, o casal Kirchner, Evo Morales, Rafael Correa e Daniel Ortega. No afã de destruir tudo e muito rápido, largando no caminho milhões de mortos e mutilados, este operativo de grandes proporções, acabou, igualmente, produzindo uma situação caótica generalizada, de que é exemplo mais significativo o Estado Islâmico (ISIS), hoje incontrolável pelas próprias potências ocidentais, que o conceberam, mas que insiste em cevá-los com armas, estratégia e dinheiro a rodo. Daí “A Desordem Mundial”, título, muito a propósito, do novo livro do politólogo brasileiro Luiz Alberto Moniz Bandeira, que se projetou como um dos mais argutos analistas internacionais, desde que lançou, em 1973, “Presença dos Estados Unidos no Brasil”, obra seguida de outras 20 obras sobre golpes de Estado na América Latina e outras atrocidades institucionais no resto do mundo. Ativista, inclusive, nas redes sociais, Moniz Bandeira alia sua erudição e poderosa pesquisa acadêmica, de que muito lhe serviu a militância política, com várias prisões e exílio depois do golpe militar de 1964, para alertar o mundo, desde sua residência na Alemanha, onde vive há vinte anos. Ou, como diz o professor Michael Löwy, do Centro Nacional de Pesquisas Científicas, de Paris, Moniz “nos dá preciosas armas intelectuais para entender e enfrentar e enfrentar esse poderoso adversário”. Löwy, que assina a orelha de “A Desordem Mundial”, editada pela Civilização Brasileira, e que, em julho, promete estar nas livrarias, considera o livro “um excelente diagnóstico da lógica destrutiva e do desejo total de dominação dos Estados Unidos”. Lembra o cientista social parisiense, velho companheiro acadêmico do autor, que “A Desordem Mundial”, acompanhada dos subtítulos “O espectro da total dominação – guerras por procuração, terror, caos, catástrofes humanitárias”, é “baseada em formidável documentação, pesquisas de arquivos, trabalho de formiga de um autêntico cientista social”. “É, ao mesmo tempo, literatura de combate contra um adversário tenaz e poderoso”, conclui Michael Löwy. Enfim, um livro que promete explicar muito do que está por trás do golpe contra a Dilma e as arremetidas contra a Argentina, Venezuela, Bolívia, Equador e Nicarágua, nossos vizinhos e parceiros indispensáveis no processo de emancipação política e econômica, que mal havíamos começado. (FC Leite Filho)

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    João Moreno07/03/2022Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    A decadência do Império americano e a desordem mundial

    Terminei de ler o 'A desordem mundial: o espectro da total dominação' quando os conflitos entre Rússia e Ucrânia se iniciavam e também por conta deles: já sabia, pelo sumário, que o já falecido Moniz Bandeira, historiador e cientista político brasileiro, apresentava uma grande introdução à disputa e detalhava seu desenvolvimento, até 2016, data de lançamento do livro. Apenas por esse motivo, a obra de Moniz Bandeira já me parece imprescindível àqueles que querem sair do discurso maniqueísta e reducionista, apresentado pelos telejornais e por grande parte dos influenciadores nas diferentes redes sociais. Por outro lado, sempre imaginei que começaria essa resenha falando que 'A desordem mundial' compõe uma trilogia, um "corpus", nas palavras do professor. Ao lado de 'Formação do Império Americano' e a da 'Segunda Guerra Fria', Moniz Bandeira, como escreveu em seu primeiro livro, de 2005, buscou compreender os motivos que levaram à subversão da democracia norte-americana, com a sua política doméstica militarizada e com uma política externa expansionista, a subverter o Direito Internacional às necessidades de seus interesses estratégicos: seja para garantir recursos naturais, exportar capitais, proteger suas indústrias e atender às demandas do Complexo Industrial-Militar ou para impedir o surgimento de potências a rivalizar no mercado mundial. Para tanto, como aprendemos em suas obras, a "defesa aos direitos humanos" e a "necessidade" de se implantar democracias liberais entre outros serão os valores-pretextos para justificar as invasões, os "regime-changes", a negação da autodeterminação dos povos. O livro aborda todas essas questões: Imperialismo norte-americano; fim da URSS; Otan; neocons como formuladores da política externa norte-americana, a partir dos anos 1990; EUA como um 'global cop"; o avanço rumo às ex-repúblicas soviéticas; as Revoluções Coloridas; a destruição da Líbia; a invasão da Síria; a Ucrânia;  a construção do Estado Nacional, o nacionalismo ucraniano; os neonazistas por lá; a Revolução Laranja; o Golpe de Estado em 2014; a anexação da Crimeia como resposta ao Golpe, o massacre de Odessa e os conflitos de Donbass etc etc etc. Quanto às críticas sobre a "parcialidade" da obra, estas se configuram mais como uma espécie de "whataboutism". O livro, como falado pelo autor em sua introdução, trata dos "desdobramentos" da atuação do Império Americano, "responsável" pelo soerguimento da própria Rússia, ao avançar rumo à nação soviética e tentar "neutralizá-la" como grande potência, então devastada pelo avanço do neoliberalismo e imersa em crises econômicas e sociais, na década de 1990. Não é sobre a Rússia ou a China. É sobre os Estados Unidos. Vale destacar também as falsas equivalências: por mais que hoje a Rússia se configure como potência militar - e "as catastróficas consequências de um conflito militar" foram pormenorizadas por Moniz Bandeira, no capítulo cinco -, a função de nação ultraimperialista cabe exclusivamente aos EUA, com o domínio cultural, ideológico, financeiro e geográfico militar, com as suas mais de 800 bases militares espalhadas pelo mundo, a também subordinar, aos seus interesses, as instituições multilaterais (ONU, Banco Mundial, FMI etc) e a Otan, "instrumento militar do cartel (...) liderado pelos Estados Unidos (...) (p. 178). Ao mesmo tempo, justificar as ações estadunidenses como uma possível reação à ameaça russa ou aos "totalitarismos" é, além da repetição do discurso dos neocons, continuado pelo democrata Barack Obama, desconsiderar tudo que o autor escreveu em seus últimos três livros: a política externa norte-americana tornou-se expansiva e mais agressiva com a debacle da União Soviética, "e essa tendência caracterizou tanto a extrema direita quanto a extrema esquerda [norte-americana], "e eles se alternam/mudam de lado ocasionalmente"". Destaco também a preocupação de Moniz Bandeira com as fontes e registros históricos, citados por alguns, e que, em seu ofício, tratou "(...) de confrontar e cruzar, cuidadosamente, as mais diversas informações e apurar a plausibilidade das ocorrências, limpar o verniz ideológico, de que muitas vezes as notícias se revestem (...) Daí que, para escrever esta obra, como outras, empreendi a pesquisa com o maior vigor, verificando todos os detalhes dos acontecimentos, na imprensa dos diversos países, discursos dos homens de Estado e documentos oficiais dos distintos órgãos de governo e/ou internacionais, areando o aparelho ideológico, a consciência falsa (...) e tomei, como ensinou Tucídides (...), o que me pareceu mais claro, real e veraz, desnudado de colorido mítico" (p. 32). Levei quase um ano para terminar a leitura. Sei que não consegui reter todas as informações que gostaria nem as que deveria. É impossível negar, entretanto, o peso da obra e a importância do autor. Como não poderia deixar de ser, gostaria de registrar as palavras finais de Moniz Bandeira, registradas em livros, por aqui também: "Desde a dissolução da União Soviética, todos os presidentes dos Estados Unidos, George H. W. Bush, Bill Clinton, George W. Bush e Barack Obama, promoveram guerras convencionais e não convencionais nos Bálcãs e no Oriente Médio, fomentaram a subversão nos países do Cáucaso, sempre sob o pretexto de tornar o mundo “safe for democracy”. Que democracia? Onde quer que os Estados Unidos intervieram, com o “specific goal of bringing democracy”, a democracia constituiu-se de bombardeios, destruição, terror, massacres, caos e catástrofes humanitárias. C’est la réalité des faits. E o certo é que, na história, como Oswald Spengler salientou, não há ideais, mas somente fatos, nem verdades, mas somente fatos, não há razão nem honestidade, nem equidade etc., mas somente fatos. E os fatos, ao longo da história, sempre mostraram que os Estados Unidos e as grandes potências capitalistas jamais efetivamente entraram em guerra pela democracia e pela liberdade, para proteger civis ou direitos humanos, senão tão somente a fim de defender suas necessidades e interesses econômicos e geopolíticos, seus interesses imperiais. E palavras não mudam a realidade dos fatos."  [Moniz Bandeira, p. 513 de A desordem Mundial] St. Leon, março de 2016.

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    Luiz Alberto de Vianna Moniz Bandeira

    Cientista político e historiador brasileiro, especialista em política exterior e relações internacionais do Brasil. Foi cônsul honorário do Brasil na cidade alemã de Heidelberg.

    29 Livros
    21 Seguidores
    Bahia, Brasil

    Luiz Alberto de Vianna Moniz Bandeira