História da Eternidade -

    Jorge Luis Borges

    Quetzal
    2012
    144 páginas
    4h 48m
    ISBN-13: 9789725649923
    Português

    "O movimento, ocupação de lugares diferentes em instantes diferentes, é inconcebível sem o tempo; igualmente o é a imobilidade, ocupação de um mesmo lugar em pontos diferentes do tempo. Como pude não sentir que a eternidade, ansiada com amor por poetas, é um artifício esplêndido que nos livra, embora de maneira fugaz, da intolerável opressão do sucessivo?" "Esta pura representação de factos homogéneos – noite em serenidade, ar límpido, cheiro provinciano da madressilva, bairro fundamental – não simplesmente idêntica à que houve nessa mesma esquina há tantos anos; sem parecenças nem repetições, é simplesmente a mesma. O tempo, se pudermos intuir esta identidade, é um desilusão: bastam para o desintegrar a indiferença e a inseparabilidade de um momento do seu aparente ontem de um momento do seu aparente hoje."

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    Jpg19/07/2010Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Ensaismo Fantásico

    Jorge Luis Borges mergulha na metafísica, um assunto que parece se desmanchar em mãos menos prudentes, e vai buscar as teorias da eternidade desde o começo da História, destrinchando uma por uma, inclusive a do Eterno Retorno de Nietszche, a qual considera a mais absurda. Há também, no pseudo-ensaio "A Aproximação a Almotásim", uma certa forma de eternidade, onde um indivíduo procura indefinidamente um reflexo de personalidade que julga ter visto em outra pessoa - tarefa que seria possível considerar infinita. No campo da linguagem, o autor trata de justificar o porquê de as metáforas serem inúteis, ou desnecessárias, principalmente na literatura arcaica nórdica; faz uma análise dos tropeços esdrúxulos das traduções de "As Mil e Uma Noites"; e ainda tem a manha de redigir ao final do livro, um ensaio de certa forma cômico, sobre formas de se insultar("A arte de Injuriar") alguém de um jeito inteligente e certeiro. Ninguém melhor para analisar as linguagens metafóricas arcaicas, assim como as várias traduções de "As Mil e Uma Noites", do que o homem que brinca com a língua como se fosse Lego. E, sem dúvida, ninguém melhor do que um homem que cria realidades eternas em seus contos, para criticar a história das teorias da eternidade. Um livro que causa estranhamento por ser de ensaios, não de contos como a maioria do autor, mas que nem por isso deixa de ser fantástico.

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