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    Revolução Em Portugal

    Walder de Goes

    UNB
    2007
    356 páginas
    11h 52m
    ISBN-13: 9788523009397
    Português Brasileiro
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    A Revolução Portuguesa de 1974 não foi uma "grande revolução': universalista, como a francesa e a russa, mas teve semelhanças com esta última. O golpe de Estado que na Rússia derrubou o regime imperial em fevereiro de 1917 deu partida à radicalização das massas camponesas e operárias. Decorridos oito meses, os bolcheviques colocaram Lenin no poder, e a história russa tomou seu curso. Em Portugal, a derrubada do salazarismo, em 25 de abril de 1974, foi um golpe de Estado tão clássico quanto o russo. Havia um ambiente social propício à insurreição, mas a queda do regime não foi precedida de movimentos de massas populares, ideologicamente orientados ou não. Na Rússia, um conjunto de circunstâncias - a guerra colonial e a crise do czarismo -levou a oposição a tomar o poder. Em Portugal, os fatores determinantes foram o autoritarismo obsoleto e a guerra colonial, já também obsoleta e afinal perdida. Os militares que derrubaram a ditadura de Salazar conspiraram solitariamente, sem o envolvimento de civis, e seu objetivo era apenas acabar a guerra colonial o mais rapidamente possível. Somente num segundo momento eles entenderam que, para findar a guerra, seria necessário, antes, destituir o regime da metrópole. Alguns tinham uma visão mais ampla, segundo a qual a descolonização seria o corolário da democratização. Mas eram poucos, pois a obsessão de descolonizar rapidamente, incondicionalmente, era tão forte que dispensava considerações sobre meios e possibilidades. O movimento popular veio depois do golpe de Estado. Foram 19 meses de intensa mobilização social e seis governos provisórios. A sociedade portuguesa multipartiu-se política e ideologicamente. Todos os portugueses se envolveram e tomaram a si a tarefa de destruir o passado e construir o futuro, pois o que se viveu em Portugal foi um choque entre duas mitologias. De um lado, a mitologia que subordinava as liberdades ao socialismo. De outro, a que subordinava o socialismo às liberdades, levando Portugal a vive

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