Pela primeira vez na história, mulheres entraram num concílio ecumênico e nele deixaram marcas irreversíveis. O Vaticano II chamou para dentro da aula conciliar vinte e três delas, na categoria de ouvintes e como presença simbólica de representação da metade da humanidade até então ali excluída. Elas foram muito além. Por entre as brechas da assembleia oficial e na ocasião da revolução eclesiológica da explicitação da igual dignidade batismal, ousaram situar-se no coração do mistério da Igreja. Vivas e ativas no processo conciliar e tomando a palavra pela porta de serviço, com humildade, sabedoria e eloquência, essas mulheres sábias, abnegadas e eficientes solidificaram uma nova consciência da representação eclesial.
Mulheres do concílio Vaticano II (Marco Conciliar) -
Maria Cecilia Domezi
Edições (1)
Ver maisOrgulho e empoderamento
Considerado um dos maiores acontecimentos da Igreja Católica no século XX, o Concílio Vaticano II, convocado pelo então Papa João XXIII (Angelo Giuseppe Roncalli), aconteceu entre os anos 1962 e 1965 e trouxe grandes renovações para a vida e fé católica que perpetuam até os dias de hoje. Isso eu já sabia! Mas o que eu não sabia e talvez você também não, é que muitas dessas mudanças e reviravoltas no conselho foram originadas de mentes femininas. Siiim! E é sobre isso que esse livro retrata, a atuação de 23 mulheres que, pela Primeira Vez, entraram como ouvintes e presença simbólica “de representação da metade da humanidade até então ali excluída” e deixaram marcas irreversíveis dentro do concílio ecumênico. "(...) as mulheres desse Concílio se fizeram convincentes, ao se situarem bem dentro do mistério da Igreja, para além de normas contingentes estabelecidas e mantidas por um poder andrógeno autossacralizado." (Pag. 18) Nestas 160 páginas são retratadas a trajetória desde antes do Concílio, o convite, as discussões, as dificuldades de ser, estar e participar da reunião ecumênica da Igreja, de serem reconhecidas como sujeitas atuantes. "Pedi a Deus: ela vos ouvirá!", era o lema das associadas. A referência a Deus no feminino, "ela", baseava-se na compreensão de Deus para além das diferenciações sexuais e relativizava, ao menos na linguagem, a dominação do gênero masculino. ( p. 34)" Particularmente, essa afirmação é nova para mim. Como mulher leiga atuante dentro da Igreja, essa história muito bem narrada dentro livro dá um orgulho danado de que as mulheres são e podem estar onde desejarem, mesmo dentro da Igreja Católica. Entre datas, pessoas e falas dentro do Concílio, este livro pequeno em páginas, porém grande em conteúdo nos ensina tudo que devemos e buscamos saber da atuação das mulheres naquele momento histórico da Igreja. "(...) Aqui está uma adesão à reivindicação das mulheres no Concílio: antes de serem consagradas, esposas, mães, viúvas, solteiras, são pessoas e são mulheres em toda a sua dignidade humana. Sem duvida é um avanço, Embora na Igreja enquanto instituição tenhamos ainda um longo caminho a percorrer quanto à relações entre os membros. (Pág. 118) Uma linguagem simples e direta, sem rodeios e floreios, a realidade é apresentada com bastante embasamento e várias referências bibliográficas. Confiável, impossível não se encantar e orgulhar. ♥ 🔹 Desafio: DLL19 📚 Tema: Um livro que deveria ter lido em 2018
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