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    O processo do tenente Ieláguin (Coleção Leste) -

    Ivan Búnin

    Editora 34
    2016
    88 páginas
    2h 56m
    ISBN-13: 9788573266443
    Português Brasileiro
    3.8
    115 avaliações
    Leram154Lendo0Querem292Relendo0Abandonos1Resenhas16
    Favoritos3Desejados292Avaliaram115

    No verão de 1890, os lances trágicos do caso de amor entre a atriz polonesa Maria Wisnowska e o jovem militar russo Aleksandr Bartenev, que resultaram em um assassinato - e as insólitas revelações que surgiram durante o processo judicial subsequente -, chocaram a Rússia. Os contornos do affair eram tão misteriosos, "tão complexos e absurdos", como observou Tchekhov, "que só o próprio Dostoiévski poderia se mover à vontade naquele labirinto". Mais de três décadas depois, quem tomou essa paixão fatal como ponto de partida para construir uma obra-prima da narrativa moderna foi Ivan Búnin (1870-1953), um dos maiores estilistas da língua russa, representante expressivo da chamada "literatura de emigração", e que recebeu o Prêmio Nobel de Literatura em 1933. Escrito em 1925, O processo do tenente Ieláguin impressiona pela intensidade com que seu autor articula as vozes presentes no julgamento do protagonista para compor uma narrativa excepcional, formada por múltiplas camadas, nas quais verdade e ilusão se alternam em ritmo arrebatador. Com um pé na grande tradição do realismo russo e outro nos experimentos da modernidade, Búnin se distingue por uma prosa sensível, de alta voltagem poética, que a bela tradução de Boris Schnaiderman recriou com fluência e precisão para o leitor brasileiro.

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    Leonardo Jardim picture
    Leonardo Jardim28/12/2023Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Um verdadeiro olhar sobre o comportamento humano

    Moralidade, causa e efeito? Uma novela curta, porém, muito bem contada, com a fabulosa tradução de Boris Schnaiderman. O vencedor do prêmio Nobel de literatura (1933), Ivan Alekseyevich Bunin, escritor, poeta, tradutor e prosista, nos apresenta essa história perfeitamente elaborada em um contexto contraditório, original e totalmente complexo.  O Tenente Ieláguin, assassino confesso, indiferente no que se refere ao sentimentalismo, ao não apresentar remorso após o crime, e, ao mesmo tempo, de forma obscura, nutrir um sentimento romântico pela vítima. Percebem a ação contraditória? Como alguém que apresenta uma indiferença no que se refere ao sentimento de culpa, remorso, pode nutrir sentimentos de amor? A narrativa não sugere uma ausência de sentimentos, impressão que temos inicialmente, e sim, a dificuldade de se fazer entender, que tipo de sentimento existe e se, de fato, existe algum, e é esse o verdadeiro aspecto, o da dúvida. Dúvida essa que o juri tem sobre o caso que culminou no crime passional. O narrador tem o papel fundamental de trazer essa questão.  O folhetim é simples, mesmo sendo baseado em uma história real, onde o autor não se aprofundou muito no fato, e sim na questão comportamental que, certamente, é o aspecto que traz nuances de singularidade, destacando positivamente Búnin. É, sem dúvidas, uma excelente porta de entrada para o universo literário russo, por ser muito bem escrito, ser simples, uma leitura rápida e bem compreensível, que aborda com propriedade os sentimentos de forma bem tangível, uma obra única.

    42 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    3.8 / 115
    • 5 estrelas17%
    • 4 estrelas43%
    • 3 estrelas35%
    • 2 estrelas4%
    • 1 estrelas0%
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    Ivan Alekséievitch Búnin

    Ivan Alekséievitch Búnin escreveu poesia, romances e memórias, mas o gênero conto se mostrou o mais favorável para seu talento. Foi laureado com o Nobel de Literatura de 1933. Filiado à tradição do realismo do século XIX, Búnin possui também pontos de contato com a prosa modernista, como observado no seu conto <i>Insolação</i>, de 1925. Radicado na Europa após a revolução de 1917, Búnin se destacou nos círculos de emigrados. Ele foi contra a Revolução, que via como algo destrutivo para seu país. A este respeito ele escreveu o livro <i>Dias Malditos</i>. Apesar de desesperadamente ter desejado retornar à Rússia, Búnin acabou morrendo na França, após 33 anos de exílio.

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    10 Seguidores

    Ivan Alekséievitch Búnin