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    Jane Eyre -

    Charlotte Brontë

    Landmark
    2016
    656 páginas
    21h 52m
    ISBN-13: 9788580700428
    Português Brasileiro
    4.8
    33 avaliações
    Leram43Lendo8Querem30Relendo0Abandonos1Resenhas2
    Favoritos18Desejados30Avaliaram33

    JANE EYRE, romance de Charlotte Brontë publicado em 1847, é sua composição mais importante e uma obra que ocupa posição de destaque no Romantismo inglês. Apesar de ser um extenso romance, grande parte da narrativa de Jane Eyre aproxima-se do drama, pois o leitor vê-se diante de uma protagonista que muda o rumo dos acontecimentos a partir de sua ação, conduzindo, assim, o eixo dramático da narrativa. O trágico também acompanha todo o romance e toda a trajetória da personagem principal. O confronto com as perdas, a intervenção do destino, as escolhas morais, o prenúncio do inescapavelmente trágico e, ainda, as constantes citações de tragédias shakespeareanas, compõem o cenário trágico em JANE EYRE. O sucesso de sua publicação foi tamanha que sua primeira edição esgotou-se imediatamente, sendo publicada mais três reimpressões ainda em 1847. JANE EYRE é a autobiografia ficcional da personagem principal que apresenta-se como Jane, órfã de pai e mãe, vivendo infeliz em companhia de parentes que a detestam. Após uma série de confrontos, Jane é enviada para um colégio interno, onde conhece seus primeiros momentos de verdadeira felicidade. Crescida e formada como professora, decide procurar uma nova posição, encontrando-a no Solar de Thornfield, como tutora da jovem Adèle, pupila de Lord Edward Rochester. Quando finalmente conhece Lord Rochester, apaixona-se por ele, e ele por ela. Este lhe propõe casamento e ela aceita, contudo, no dia de seu casamento, Jane descobre um terrível mistério que assola o Solar de Thornfield. Desiludida, foge e após dias vagando sem destino é recolhida por St John Rivers e suas irmãs, descobrindo que o destino lhe reservara mais uma surpresa e reviravolta em sua vida. St John Rivers decide partir como missionário para terras distantes e levar a prima consigo, como esposa, entretanto Jane hesita e, antes de dar uma resposta ao primo, decide descobrir o que se passara com Lord Rochester, pois não tivera mais notícias dele desde que fugira de sua casa, um ano antes. Vem encontrá-lo ferido e sozinho no Solar de Thornfield, destruído, morando em companhia de alguns empregados ainda fieis. O romance retrata a emancipação da mulher e de seu espírito, ideias contrárias, na visão de Charlotte Brontë, às histórias apresentadas nos romances de Jane Austen onde, segundo Borntë, as mulheres não eram aptas a trabalhar, devendo se casar para garantir sua sobrevivência. A autora, Charlotte Brontë, escreveu seu primeiro romance em um tempo em que não se eram permitidas experiências às mulheres. Neste livro, Charlotte Brontë, através de Jane Eyre, prova que as mulheres eram perfeitamente capazes de trabalhar e de lutarem por uma vida, independentemente de se casarem ou não. Repleta de elementos simbólicos, apresentados ao longo da história, talvez para os leitores de nosso tempo, a obra não ressoe da mesma forma com relação à franqueza e à passionalidade da personagem principal, mas os mesmos leitores, ressentidos com o desamor e a falta de solidariedade de nosso tempo, estão fadados a se entregarem ao afeto, à igualdade e a um profundo senso humanitário que sustenta toda a história de JANE EYRE.

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    J. F. Hill picture
    J. F. Hill19/01/2025Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Uma obra prima que transcende o tempo

    Poucas obras conseguem despertar tamanha intensidade de emoções como Jane Eyre, de Charlotte Brontë despertou em mim. Foi uma leitura profundamente emocionante, marcada por uma narrativa rica em detalhes que, longe de serem enfadonhos, foram para mim o ponto alto da história. Cada descrição elaborada por Brontë parecia tecer um quadro vivo, permitindo-me mergulhar profundamente no mundo de Jane e sentir suas emoções com uma intensidade quase tangível. O romance entre Jane Eyre e o Sr. Rochester é um dos pilares da obra, carregado de paixão, mistério e complexidade. Jane, com sua força de caráter e convicções, e Rochester, com sua alma atormentada, formam um casal que transcende os moldes convencionais. Brontë descreve os sentimentos e motivações de Jane com uma profundidade que me levou às lágrimas em diversas passagens. O amor deles não é idealizado, mas construído sobre escolhas difíceis, vulnerabilidades e uma busca constante por verdade e justiça. Outro aspecto que me surpreendeu foi a imprevisibilidade da história. Ao longo das páginas, Brontë conduz o leitor por caminhos inesperados, desafiando nossas expectativas e apresentando reviravoltas que tornam impossível largar o livro. Cada capítulo trazia uma nova surpresa, um novo motivo para se apaixonar pela trama. Após mais de uma década como leitora ávida, nunca imaginei encontrar uma autora capaz de se tornar a minha favorita. Porém, com Jane Eyre, Charlotte Brontë conquistou esse posto. Uma mulher muito à frente de seu tempo, Brontë criou uma obra-prima que não apenas atravessou séculos, mas também alcançou o coração de leitores apaixonados como eu. Sua genialidade literária é evidente em cada linha, e sua capacidade de emocionar permanece atemporal. Jane Eyre não é apenas um livro; é uma experiência transformadora que deixará marcas permanentes em quem se aventurar por suas páginas.

    1 curtida

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    Avaliações

    4.8 / 33
    • 5 estrelas79%
    • 4 estrelas21%
    • 3 estrelas0%
    • 2 estrelas0%
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    Charlotte Brontë profile picture

    Charlotte Brontë

    Charlotte Brontë foi uma das grandes romancistas da Inglaterra do século 19, a mais velha das três irmãs Brontë, cujos romances são marcos na história da literatura mundial. Nasceu em 1816, sendo a terceira filha do reverendo Patrick Brontë e de sua esposa, Maria Branwell. Seu irmão, Patrick Branwell, nasceu em 1817 e suas irmãs, Emily e Anne, em 1818 e 1820, respectivamente. Em 1820, seu pai foi nomeado como pároco de Haworth, próximo a Yorkshire, para a família se mudou; em 1821, Maria Branwell morre e deixa a criação de seus filhos sob os cuidados de sua irmã, Elizabeth Branwell. As pobres condições de vida enfrentadas pelas crianças Brontë as levaram a uma série de problemas de saúde, iniciando com a morte das duas irmãs mais velhas da família, em 1825, após terem ingressado no Clergy Daughters School. Foi este colégio que inspiraria, mais tarde, Charlotte na descrição do sinistro colégio Lowood que aparece em seu romance “Jane Eyre”. Seu ingresso na literatura iniciou-se com pequenos contos de inspiração byroniana escritos em conjuntos com seus irmãos: com Patrick, criou o reino imaginário de Angria, ao mesmo tempo que Emily e Anne criavam o reino de Gondal. Em 1842, Charlotte e Emily ingressaram em internado em Bruxelas, mas a morte de sua tia a obrigaram retornar à Inglaterra. Emily passou a cuidar da administração da casa dos Brontë e Anne tornou-se preceptora de uma família nas cercanias de York, para a mesma família na qual Patrick Branwell servia como professor particular. As experiências que Charlotte vivenciou em Bruxelas serviram para inspirá-la nas características da personagem Lucy Snow, protagonista de seu romance “Villete”, de 1853. No mesmo ano, seu irmão Patrick envolveu-se com a mulher de seu patrão e a partir deste ano passa a recorrer ao ópio e à bebida. Foi Charlotte quem incentivou as irmãs a escreverem e a publicarem seus romances, a partir de 1847, valendo-se de pseudônimos ambíguos: Charlotte publicou “Jane Eyre”, sob a alcunha de Currer Bell; Emily, publicou “O Morro dos Ventos Uivantes”, sob o nome de Ellis Bell, obtendo sucesso imediato; “Agnes Grey”, foi publicado por Anne, sob o nome de Acton Bell. Emily morreria de tuberculose, em 1848 e Anne, em 1849, um ano após publicar “A Moradora de Wildfell Hall”. Charlotte se casaria em 1854 com o assistente de seu pai, Arthur Bell Nicholls, que fora o seu quarto pretendente. Em 31 de março de 1855, grávida de seu único filho, caiu enferma e morreria de tuberculose como suas irmãs. A importância de Charlotte Brontë é significativa em um momento em que as relações sociais e econômicas da sociedade se transformavam: em uma época onde as mulheres eram consideradas apenas como um mero adorno social, Charlotte Brontë bravamente enfrentou os obstáculos da sociedade através de sua obra. Seus romances falam sobre a opressão da mulher, o que a caracterizam como uma das primeiras mulheres modernas; entretanto, classificá-la apenas como feminista seria uma má-representação de sua verdadeira condição e importância. Diferentemente das escritoras Mary Wollstonecraft e George Sand, que surgem como as primeiras defensoras da nova condição da mulher, Charlotte vale-se exclusivamente de suas obras para imprimir uma nova visão do papel da mulher. Nesse ponto, Charlotte Brontë é uma das grandes opositoras da obra de Jane Austen, por considerar que as personagens austeanas se conformavam com o papel da mulher submissa dos primeiros anos do século 19. Nesse ponto, as personagens elaboradas por Charlotte são diametralmente opostas às criadas por Jane Austen. Sua vida foi registrada através da biografia publicada por sua amiga, a escritora Elizabeth Gleghorn Gaskell. Sua produção literária, apesar de modesta, é significativa: sua primeira obra, “The Green Dwarf, A Tale of the Perfect Tense”, foi escrita em 1833; seguiu uma produção juvenília até a publicação de seu primeiro romance, “Jane Eyre”, em 1847; “Shirley” foi escrita em 1849; “Villette”, em 1853; “O Professor”, apesar de ter sido seu primeiro romance, antes mesmo de “Jane Eyre” somente foi publicado postumamente, em 1857; deixou ainda inacabado “Emma”, publicado em 1860.

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    Yorkshire, Inglaterra

    Charlotte Brontë