Bartolomeu exerce neste livro a memória involutária – torrencial, poderosa e, no entanto extremamente delicada e sutil na expressão dos sentimentos. Os olhos e a mente do menino que assimila normas e regras do mundo adulto.
Ler, escrever e fazer conta de cabeça -
Bartolomeu Campos de Queirós
[Resenha ] Conteúdo: Livre Livro: Ler, escrever e fazer conta de cabeça Autor: Bartolomeu Campos de Queirós Editora: @global Páginas: 78 Avaliação: Adorei (5/5) Mês: março / 2020 Bibliotecária: Glaucia Vilas Boas / São Bernardo do Campo-SP @glaucia.vilasboas O livro é uma prosa poética como quase todos os textos do autor onde apesar de ser ficcional apresenta fortes elementos de sua biografia. Na narrativa, o narrador-protagonista relata suas lembranças a partir do seu ingresso à escola. O processo de aprendizagem se entrelaça com o seu processo de crescimento e amadurecimento. Percebemos que crescer dói e isso vem acompanhado de sentimentos controversos e ambíguos misturados ao medo, desejo e dor que apesar de tudo são inevitáveis. De acordo com que o personagem vai avançando na leitura e escrita juntamente a doença da sua amável mãe vai se agravando. O clímax se dá no momento que consegue ler uma palavra sozinho e toma consciência da gravidade da doença de sua mãe. A partir deste momento toda sua raiva é descontada nas palavras e ele sai pichando palavrões nas paredes do muros do quintal de sua casa. A mãe para ele era como um ser angelical e de acordo com sua piora ele tenta buscar acolhimento e proteção na escola e com a professora fada já que não encontra esse conforto no pai que era totalmente ausente por conta da sua profissão. É com o pai que tomamos consciência que além de sua carência afetiva ele também sofre de carência material. São nessas carências que ele pode exercitar sua facilidade em fazer contas de cabeça. O medo da perda da mãe foi relacionado poeticamente com a perda de um lápis, onde ele põe todo seu sentimento e tristeza e é amparado lindamente pela diretora...lembrei muito da minha diretora Rita que se aposentou. A porta de entrada no mundo dos adultos é sufocante e a partida da mãe acontece horas depois da partida do menino para casa do avô. Parece um livro triste mas não é, teve momentos que me vi gargalhando de algumas situações. A história só retrata nossas vidas que são feitas de momentos tristes e felizes. Não consigo achar defeito nenhum no texto. Adorei!!!!
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